terça-feira, 14 de maio de 2013

Separados à nascença?


O HUD do Oculus Rift...


... e o cyberpunk consumado de Tetsuo II Body Hammer. Refira-se que o Oculus é um dispositivo de realidade virtual contemporâneo e o filme Tetsuo II é um filme de culto dos anos 90 do século XX. É interessante ver este renascer dos HUD clássicos, agora direccionados ao mercado dos jogadores de jogos digitais. A realidade virtual é uma daquelas eternas promessas que raramente consegue penetrar para lá dos nichos onde funciona muito bem, na academia, engenharia e pesquisa avançada. Apesar das interessantes possibilidades do Oculus Rift suspeito que este terá o mesmo destino de outros projectos similares e sucumbirá à falta de interesse do grande público por uma tecnologia fantástica mas cuja utilização implica um corte quase total com a realidade física e tangível. É também curioso observar como a iconografia do uso de dispositivos de realidade virtual se mantém ao longo das décadas. Um jogador imerso num mundo virtual com o Oculus Rift é em muito similar ao cyberpunk nipónico que progressivamente se mescla com a máquina, concepção que no fundo é uma das mais esotéricas promessas da realidade virtual.


Para dar uma ideia da génese destes equipamentos, deixo-vos com o Damocles de Ivan Sutherland, o primeiro dispositivo de realidade virtual imersiva que possibilitava ao utilizador mover-se com poucas restrições dentro de um espaço virtual. Devido aos constrangimentos da tecnologia nos anos 60 o sistema tinha de executar externamente muitos dos requisitos de posicionamento imersivo em espaço virtual, o que ajuda a explicar o aspecto vagamente similar ao de um instrumento de tortura medieval. O capacete ligava a um braço mecânico que reconhecia as posições do corpo do utilizador no espaço. De certeza que o Oculus tem giroscópios internos que fazem o mesmo. Comum a todas as imagens é a ideia de corpo humano estendido pela tecnologia, uma visão carnal da teoria de McLuhan de tecnologias como extensão do ser.

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