quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ficções

The Cremator's Tale: Neste conto de Steven Silver o mundo ficcional é sólido mas pouco imaginativo. É mais uma história passada num ambiente medievalista de fantasia e magia, com feiticeiros, castelos soturnos, cidades medievais e criaturas míticas. O que o distingue é o cerne da história. Um cremador, homem encarregue de dispor das cinzas de aprendizes de feiticeiro acidentalmente queimados, é apanhado numa armadilha elegante de um necromante que se icinera para testar um encantamento que lhe permitirá habitar o corpo do primeiro incauto que tocar nas suas cinzas. Mas o heróico cremador não é desprovido de recursos e após uns tempos em que se dispersa pela cidade levado com as cinzas puxadas pelo vento consegue recuperar o seu corpo. Nada de novo, nada de particularmente interessante, mas escrito com forte solidez visual.

The Amnesia Helmet: Um conto que homenageia ao mesmo tempo Flash Gordon e Buck Rogers, antigas séries de cinema de ficção científica que encantaram gerações nos anos 40 e o realismo mágico ingénuo dos contos de Ray Bradbury passados na sua visão mágica da infância. F. Brett Cox (desculpem o desabafo, mas há qualquer coisa de ridículo em assinar um conto desta forma, f ponto e apelidos) dá-nos a conhecer uma rapariga que inspirada pelo exemplo da companheira de Buck Rogers desafia os paternalismos e imperativos sociais para no futuro se afirmar como cientista. O começo é simples: decide recriar a arma secreta do vilão cinematográfico que Rogers derrota semanalmente, um capacete hipnotizador capaz de fazer esquecer aquilo que quem o controla quiser. Subjacente está uma subtil alusão à violência sobre crianças.

Paradise Left: E se... o mundo pós-singularidade fosse uma espécie de berçário em que as inteligências artificiais dominantes e os robots se encarregssem de tomar conta da humanidade? Carinhosas, as máquinas tomam conta dos descendentes dos seus criadores, indulgindo com benevolência nas suas birras e buscas de identidade, tudo fazendo para que nenhum humano se magoe, mesmo que procure libertar-se das máquinas em planetas distantes. Um conto divertido de Evan Dickey.

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