terça-feira, 23 de abril de 2013

Comics: Arrowsmith, Absolute Zero



Kurt Busiek, Carlos Pacheco (2004). Arrowsmith: So Smart In Their Fine Uniforms. La Jolla: Wildstorm.

Uma divertida variação com o já muito abordado tema da I guerra. Nesta visão de fantasia, não são máquinas voadoras e massas humanas que se batem nas trincheiras. Antes, temos soldados, magos, criaturas mitológicas e feiticeiros a recriar a carnificina de 1914 a 1918, onde castelos medievais coexistem com dirigíveis e a magia permite aos paquetes transatlânticos cruzar os mares em tempo recorde. Criando um razoavelmente bem definido mundo alternativo em que a Europa e as Américas mantém as designações medievalistas num mundo onde ciência e magia coexistem, Kurt Busiek cria uma história simpática onde um jovem idealista americano se voluntaria para os corpos de aviação para voar com encantamentos e dragões. As atrocidades a que assiste e que é obrigado a participar na frente fazem-no crescer, encontrar o amor e ganhar coragem para liderar. Misto de história de auto-descoberta com narrativa de guerra e fantasia mágica, Arrowsmith encanta sem ser deslumbrante. Todos os artifícios narrativos e temas dos géneros estão no texto, e a solidez do mundo ficcional é bem estabelecida. O traço preciso de Carlos Pacheco dá vida às criaturas e espaços deste comic interessante, captando na perfeição o espírito da época com o toque  de fantasia mágica que caracteriza a obra.


Christophe Bec, Richard Marazano (2006). Zero Absolu. Toulon: Soleil.

Parece incrível e impossível, mas foram precisos três livros na série Absolute Zero para levar uma história incompreensível a uma conclusão banal. Talvez porque o editor sofra do síndrome da iliteracia? Um grupo de soldados tem como missão explorar uma base científica abandonada num planeta gélido. No seu interior, coisas estranhas começam a acontecer. Que coisas estranhas? Não se percebe muito bem. Por qualquer razão inexplicada começam a matar-se uns aos outros. Parece também que a realidade que vêem não corresponde ao captado pelos instrumentos. Pelo meio, há flashbacks para outras eras. No final, sobrevivem dois e a história revela que estes têm vindo a sobreviver ao longo dos tempos. Confusos? Eu também. Há bons argumentos labirínticos, onde o engenho do escritor nos dá voos de genial tortuosidade. E depois há os argumentos mal escritos, incompreensíveis para todos excepto quem os escreveu. No entanto a coisa deu trilogia... isso sim, é muito estranho.

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