segunda-feira, 4 de março de 2013

Mil loucuras

"Enfim, um napolitano prefere vingar-se sempre um pouco a mais do que um pouco a menos." (p. 90)

"Os vampiros, entre outros, são uma nova invenção, se assim ouso exprimir-me. Distingo duas espécies: os vampiros da Hungria e da Polónia, que são corpos mortos que à noite saem dos túmulos e vão sugar o sangue dos homens; e os vampiros de Espanha, que são espíritos imundos, que ocupam o primeiro corpo que encontram, dando-lhe todo o tipo de formas, e..." (p. 157)

"Ela tem razão, disse de mim para comigo, em preferir as alegrias desta vida humana e material às vãs especulações de um mundo ideal, ao qual, mais cedo ou mais tarde, passaremos também a pertencer. Não nos oferece este mundo tantas e tão diversas sensações, tantas impressões deliciosas, capazes de ocupar o tempo que dura a nossa breve passagem pela vida?" (p. 226)

""Pois bem", disse para mim mesmo, "seguindo as pegadas de Locke e de Newton, teria atingido os últimos confins da inteligência humana, apoiando os princípios de um com os cálculos do outro, assegurando que alguns dos meus passos desembocariam no abismo da metafísica; e que me acontece? Sou classificado no número dos loucos, sou considerado como um ser degradado que nem sequer pertence à raça humana. Que sejam aniquilados o cálculo diferencial e todas as integrações de que fiz depender a minha glória!"" (p. 335)

"Meu pai recebeu-me rodeado de jovens mulatas, que tive de abraçar uma a uma. As jovens dançaram, provocando-me de todas as maneiras e o serão passou-se em mil loucuras." (p. 407)

Jan Potocki (2010). Manuscrito Encontrado em Saragoça, Volume I. Lisboa: Cavalo de Ferro.

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