segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Silver Surfer: Parable



Stan Lee, Jean Giraud (1988). Silver Surfer: Parable. Nova Iorque: Epic Comics.

Um clássico dos comics, graças à colaboração extemporânea entre dois grandes representantes de duas vertentes maiores da banda desenhada. Uma colisão entre o argumento e formato comic de Stan Lee e o lirismo da bande dessiné de Moebius. O resultado é um híbrido atípico, comic mainstream com sabor intimista. Stan Lee leva ao exagero a veia moralista que caracterizou o clássico Silver Surfer com Jack Kirby. Este personagem sempre teve uma vertente de cordeiro sacrificial, de meta-herói disposto a sacrificar-se para que o bem triunfe. Parable leva esta vertente mais longe, num futuro distópico onde o vilão indiferente Galactus revisita a Terra e é adorado como deus destrutivo por homens incapazes de tomar nas suas mãos os seus destinos. Resta ao Surfista das ondas cósmicas ensinar a via da libertação à humanidade através do seu exemplo de abnegação.

O comic ganha vida pelo traço de Moebius. Indiferente às convenções da gramática do comic enquanto género, deslumbra-nos com vastas visões a recordar o mundo de Edena ou as partes da Garagem Hermética onde a arquitectura tem primazia sobre o surrealismo. Estes panoramas são entrecortados por vinhetas intimistas, longe da espectacularidade da estética wrestling com capas e poderes do género. Parable é Moebius a mostrar aos americanos na linguagem do seu género de banda desenhada porque é que é mestre do traço de ficção científica.

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