sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Comics


Hellblazer #300: Depois de todas as desventuras e tropelias, termina-se de copo de cerveja na mão num pub cujo nome, The Long Road, simboliza a extensão da série e cujas garrafas ostentam o nome dos vários criadores que nela trabalharam. O fim em si é um atar de pontas soltas das histórias mais recentes de Constantine, arrumando cuidadosamente o lado negro e preparando-o para um relançamento na continuidade mainstream da DC, onde já está estabelecido como líder da Justice League Dark, a super-equipa do oculto. É o fim do personagem torturado, envelhecido, amargurado e cujas aventuras pelas trevas sempre se saldavam por destinos trágicos. Morreu o velho John Constantine, viva Constantine (que irá ser brevemente lançado pela DC).


2000AD #1820: Conhecedores da mitologia do universo Dredd sabem da rivalidade entre as Sov-cities e Mega-City 1, a contrapartida futurista da guerra fria. Aparentemente houve uma guerra, as east-megs foram aniquiladas, e uma vingança dos sobreviventes das mega-cidades soviéticas deu o mote ao arco Apocalipse, onde grande parte da população sucumbe a um vírus militarizado e a cidade mergulha no caos. Agora o mote é reconstrução e nesta edição somos introduzidos aos emigrantes de East-Meg que, apesar de viverem há décadas na cidade patrulhada por Dredd, vão conhecer as agruras dos campos de internamento. A cultura pop dos comics a acenar a cabela em reconhecimento da história do século XX.


Dejah Thoris and The Green Men of Mars #01: Como resistir a uma capa destas, cheia de sensualidade e exotismo? É o lado sensual dos comics em ilustrações de fazer cair o queixo. A Dynamite está a trilhar uma linha de equilíbrio difícil na sua apropriação das personagens de Edgar Rice Burroughs, sublinhando o lado sensual de Thoris. Nesta mini-série em que Dejah Thoris é raptada por homens verdes após o triunfo de John Carter talvez essa linha esteja a ser ultrapassada, com cenas muito próximas do bondage pornográfico.


Cultura pop dos comics e o seu lado perverso...


Happy #04: Um final apropriadamente sangrento para o policial noir que Grant Morrison contaminou com os seus psicadelismos através de um cavalinho azul imaginário que é o sidekick perfeito para o anti-herói da série. Uma série violenta e de toque perverso, que chega a um final mais ou menos feliz. Um destes dias Morrison há de esclarecer a dúvida do porquê do cavalinho-unicórnio azul. Homenagem discreta aos blaue reiter do expressionismo alemão da primeira metade do século XX?


Morbius The Living Vampire #02: O vampiro científico da Marvel está a viver o seu momento Daredevil: Born Again. Leitores assíduos de comics com memória para os clássicos recordam-se certamente da série de Frank Miller onde o clássico Demolidor desce à loucura, perde tudo num confronto com o seu arqui-inimigo e acaba num processo de redenção a auxiliar os desesperados que vivem em Hell's Kitchen. Aqui é similar, mas temos Morbius a redescobrir-se em Brownsville, um bairro degradado dominado por um criminoso violento de baixo calibre. Mas se este número 2 termina com uma forte dentada vampírica, desenganem-se: este Morbius reflecte a estética twilight. É sensível, misterioso, ajudante reticente dos mais fracos e tem um ar trágico de estilo urbano decadente. Só lhe falta brilhar à luz do sol.


Locke & Key Omega #03: A série lendária de Joe Hill e Gabriel Rodriguez aproxima-se inexoravelmente do fim. Vai deixar saudades, e já se tornou um marco dos comics de terror. A história desloca-se para o fim anunciado mas pelo meio Hill e Rodriguez ainda encontram forma de na sua história de terror e adolescência homenagear essa outra história de terror e adolescência que é Carrie de Stephen King, pai de Joe Hill.

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