quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Yragaël


Michel Demuth, Philippe Druillet (1974). Yragaël. Paris: Dargaud.

Estaria a mentir se escrevesse que compreendi este livro. A narrativa é psicadélica e parece andar às voltas com um catastrófico fim do mundo num reino ante-diluviano pré-proto-histórico. Mas este não é um livro que se leia pela história, mas sim pelo seu carácter marcante na história da banda desenhada francófona. Yragaël é uma da obras primas de Philippe Druillet, mestre do traço surrealista psicadélico que esteve em voga nos anos 70. Vive de um traço intricado e filigranado, desenhos hieráticos com conjugações gritantes de cores, numa opressão visual que sobre-estimula os centros visuais cerebrais. Este álbum é uma viagem psicadélica visual, e que se dane a sua incompreensibilidade. O olho fica perdido e encantado nas linhas barrocas da ilustração, despertando fantasias visuais que a mente consciente não consegue agarrar.

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