quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Comics


Before Watchmen: Minuetmen #06: Darwyn Cooke encerra bem esta prequela morna de Watchmen. Centra-se no nite owl original para desmontar alguns dos segredos aludidos por Moore no original. E termina com o convite a continuidades. Destaca-se mais pelo traço de Cooke, evocativo do género pop, do que pelo argumento.



Bedlam #03: Uma história intrigante sobre um ex-serial killer que colabora inocentemente com a polícia num novo surto de assassínios em série. Poderia ser mais um comic policial banal, senão pelos flashbacks que nos mostram num violento grafismo expressionista o processo de cura que transformou o serial killer de psicopata violento numa pessoa normal mas com tiques estranhos. E sim, são gatos. Esventrados, decapitados, esmagados contra paredes, numa experiência para aprender o valor do companheirismo animal.


Hellblazer #299: as notícias sobre a morte de John Constatine são levemente exageradas, neste que será o penúltimo número da série. Constantine, criado por Alan Moore e herói de uma longa série de comics tenebrosos, fica-se na continuidade da DC como o estereotipo do inglês malandreco no banal Justice League Dark. E a editora dá mais um passo na sua marvelização, aprofundando a aposta no mercado infanto-juvenil em concorrência directa com a Marvel e abandonando mais um título do mercado adulto. É deprimente, mas tem um lado positivo. Pelo que se tem visto sair nos últimos tempos da IDW, Image, Archaia, Boom! Studios, Dynamite e até da Dark Horse, os comics de conceito intrigante, bem escritos e ilustrados para um público adulto estão bem entregues. Note-se que uma vez que o título está quase extinto, Pete Milligan deixa-se de limites e brinda-nos com uma visceralidade raramente vista nos comics de editoras mainstream.


Mind MGMT #07: Matt Kindt dá continuidade à história surrealista e paranóica de uma jornalista que se envolve com os resquícios de uma agência secreta tão secreta, tão secreta que nem os próprios agentes muitas vezes sabem que lhe pertencem. Neste universo ficcional, Mind MGMT é uma organização secreta que utiliza poderes mentais para influenciar o curso dos acontecimentos com, entre outras artimanhas, publicidade subliminal. O resultado é uma narrativa paranóica, reminiscente do melhor de P. K. Dick.

4 comentários:

João Campos disse...

Por acaso há dias parei na BD Mania e estive tentado a comprar o "Before Watchmen" do Rorschach, personagem que me maravilhou em "Watchmen".

Quanto ao fim anunciado de Hellblazer/Constantine, a única boa notícia é que poderei finalmente iniciar a colecção sabendo onde ela acaba (passe o cinismo). Mas lamento o que dizes da ideia de Justice League Dark. Não por gostar especialmente de cross-overs (abomino a prática, e não entendo por que carga de água dois super-heróis tão diferentes como o Super-Homem e o Batman têm de existir no mesmo universo), mas por achar que este tinha potencial para ser interessante devido ao seu spin "sobrenatural". Pelos vistos, enganei-me.

artur coelho disse...

entretanto já andei a cuscar no site da dc e apercebi-me que a DC normal vai ter um título chamado constantine... não espero a qualidade do hellblazer. quanto ao before watchmen espera pelos TBP... e o rorschach vai ser obrigatório na colecção. brian azzarello mete-se no seu habitual campo do policial noir violento e a ilustração está de cair o queixo.

João Campos disse...

Sim, acho que vou esperar pelos paperback. Ah a DC vai manter o Constantine? Cheira a esturro, não sei bem porquê.

artur coelho disse...

pete milligan em hellblazer: constantine como um quarentão amargo, fumador compulsivo, potencialmente destrutivo para os que o rodeiam, visto como poderoso mas na verdade safando-se mais por sorte e acaso. o mesmo personagem em justice league dark: espertalhaço manipulador. há aqui uma forte redução dimensional, parece-me...