domingo, 6 de janeiro de 2013

Arquitectura Imaginária


Uma preciosa e inspiradora exposição temporária no Museu Nacional de Arte Antiga sobre representações arquitectónicas utópicas e imaginárias. A exposição reúne pintura, desenho, arte sacra, ourivesaria e artes decorativas tendo como linha comum a representação de imaginários arquitectónicos, passando pela austeridade geométrica contemporânea, o rendilhado intricado do gótico flamejante nas artes sacra e decorativa, a precisão perspéctica renascentista e o excesso visualmente apaixonante das vistas de invenção barrocas.


Na exposição encontramos cadernos de registo de viagem, apontamentos de arquitectos ou livros de arquitectura, junto com peças de arte sacra medieval e pinturas representativas de várias épocas.


Uma surpresa interessante são as maquetes de edifícios históricos. Alguns não edificados, caso desta maquete do Palácio do Contador Mor, outros a prenunciar o deslumbramento do espaço real, como na maquete da capela de S. João Baptista na igreja de S. Roque.



Na secção dedicada a arquitecturas utópicas, um destaque especial para as vistas barrocas de Francesco Galli da Bibbiena a deslumbrar o olhar entre cenários de ópera e vistas de invenção.


As utopias arquitectónicas do portugal contemporâneo são postas a nu pela curiosa justaposição de três documentários. Lado a lado, o nacionalismo tradicionalista do Portugal dos Pequenitos, o estado-novismo apoteótico da exposição Mundo Português, e o lirismo futurista da Expo 98. A arquitectura do espectáculo, a dar que pensar nas ideologias subjacentes e na projecção de imagens identitárias através de simulacros arquitectónicos.

Este mergulho cronológico na tradição pictórica de visualização da arquitectura como elemento de deslumbramento é um mimo para o olhar e uma delícia para o intelecto.


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