domingo, 21 de outubro de 2012

Projectos com realidade aumentada: notas

Um post com ideias soltas, resultadas do progresso obsessivo com o mundo das aplicações de realidade aumentada e uma ideia cada vez menos difusa de aproveitamentos pedagógicos.

- O AndAR Model Viewer parecia ser a app mais apropriada para o fim que tenho em vista - colocar os alunos a modelar em 3D e visualizar os seus trabalhos em realidade aumentada. Testei com modelos criados no Vivaty Studio e mostrou correctamente as cores dos objectos. Promissor, gratuito e de fonte aberta. O que me parecia mais interessante era a possibilidade de visualizar objectos armazenados no dispositivo, sem requerer ligação à internet. Infelizemente, por razões que não consigo descortina, a app só funciona correctamente algumas vezes. Na maior parte dos testes arranca, carrega o modelo, mas não parece reconhecer o marcador de AR ou então paralisa. Não se percebe. Pelos fóruns da página da app não há referências a alterações ou desenvolvimentos posteriores a 2010. Não posso depender em sala de aula de uma aplicação instável.

Teste com o Augment em modo offline
- Regresso ao Augment. É uma aplicação estável, que funciona sem falhas, baseada no sdk Vuforia de realidade aumentada desenvolvido pela Qualcomm. Tecnologia proprietária, mas funciona. Se utilizar tecnologias gratuitas e open source é uma das minhas prioridades pedagógicas, creio que neste caso posso abrir excepção. Se a tecnologia subjacente é proprietária, a app é gratuita. Resta o problema de aceder a modelos 3D sem os descarregar dos repositórios da AugmenteDev. Para o uso que lhe pretendo dar a possibilidade de utilização sem ligação à web é importante - cada aluno terá que utilizar o seu smartphone e depender da sua ligação de dados que implica custos. Ter os conteúdos armazenados localmente ultrapassa a necessidade de ligações de dados. A versão iOS do Augment possibilita visualização offline de modelos. Para Android essa opção ainda não está disponível, mas uma dica da equipe da AugmenteDev mostrou-me que é possível dar a volta ao problema. A técnica é semelhante à usada com o AndAR, com uma nuance: utilizando um gestor de ficheiros (foi-me recomendado o ES Explorer), escolher a Augment para abrir ficheiros em formato obj. E... funciona. A imagem comprova. Infelizmente a informação de cor contida no ficheiro de materiais perde-se. Aqui o próximo passo envolve texturas de imagens. Outra possibilidade interessante a testar é a visualização de objectos animados. O Augment suporta animação em collada, resta saber se consigo converter um objecto animado em vrml e a coisa funcionar na app.

- É irritante ver que as apps de realidade aumentada que trabalham com objectos 3d se ficam por formatos como o obj ou o 3ds. Depois fazem-se tutoriais a sublinhar a importância de utilizar objectos leves, por causa dos constrangimentos da largura de banda em redes móveis. Não estou a brincar. Li isto nos tutoriais da Layar. Acontece que tecnologia para apresentar objectos e cenas 3D complexas já existe há muito tempo. As especificações VRML e X3D são óptimas para conteúdo 3D com restrições de largura de banda e hardware. No entanto, parecem estar completamente ignoradas pelos que desenvolvem aplicações em realidade aumentada. Uso o Vivaty Studio para trabalho em 3D, na senda do VRML/X3D. Fico irritado com a riqueza que é perdida na conversão para outros formatos que ainda tornam mais pesados os modelos originais.

Um modelo colorido, numa das vezes em que o AndAR funcionou...

- À medida que se mergulha nesta coisa da realidade aumentada, mais ideias vêem à cabeça. As possibilidades dos browsers de RA intrigam-me. Seria possível criar percursos com pontos de interesse por gps ou marcador que permitissem caças ao tesouro, percursos pedagógicos, histórias que se contam ao longo de um percurso? Utilizando layers para o Layar ou locais no Wikitude? Colocar os alunos a criar modelos 3D e a visualizar em RA pode ser o primeiro passo para coisas mais interessantes, sobrepondo a realidade virtual à realidade táctil.

- Começa a ser hora de planificar um processo de trabalho para estas actividades. Explorar aplicações de modelação 3D (Doga, Sketchup e Vivaty, essencialmente). Perceber o conceito de formatos intercambiáveis (wrl, x3d, obj, dae). Instalar apps nos smartphones. Disseminar marcadores de RA. E.. criar. Do que anda por aí de experiências pedagógicas com RA, geralmente colocam o aluno no papel de consumidor de informação utilizando apps de realidade aumentada como interface. A minha perspectiva, herdada de anos no ensino artístico como professor de EVT, é colocar estas ferramentas nas mãos dos alunos e incentivá-los a criar.

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