domingo, 28 de outubro de 2012

Guerra automática

"In March 2011, a Predator parked at the camp started its engine without any human direction, even though the ignition had been turned off and the fuel lines closed. Technicians concluded that a software bug had infected the “brains” of the drone, but never pinpointed the problem."

Foi esta citação que me levou ao artigo sobre uma base remota no corno de África onde coisas estranhas se passam. Um Predator é uma aeronave não tripulada robótica armada capaz de voar autonomamente (também designadas por UCAVs ou drones), e um apontamento sobre um que foi capaz de iniciar por si só o seu motor é intrigante. Sugere o acordar das inteligências artificiais e dos robots sentientes, mas é sempre bom recordar que uma aeronave robótica letal depende de uma vasta equipa de terra para a armar, manter e abastecer de combustível e pilotos remotos para monitorizar o voo e controlar se necessário. Sem esquecer as redes de comunicação seguras e a constelação de satélites do sistema GPS sem os quais o mais avançado robot não sabe onde está nem por onde anda.

UCAVs a ligarem o motor sozinhos é o menor dos males neste artigo, que detalha um posto avançado na guerra americana contra a ameaça do terrorismo internacional, uma guerra extremamente letal que não faz manchetes nem abre telejornais. Uma guerra assimétrica, combatida por aeronaves robóticas, operações especiais e sistemas electrónicos de vigilância. Parece empolgante, até que nos lembramos que implica operações à revelia de governos soberanos e bombardeamentos cirúrgicos de alvos críticos que não passam de eufemismos para assassínios institucionalizados. E exige recursos: uma base no Djibuti, um daqueles países que se tem uma certa dificuldade em localizar no mapa, comandos de operações especiais tão secretos que os operacionais não revelam os nomes aos colegas, patrulhas de aviões f-15 em operações de combate sobre o Yemen, aeronaves robóticas a sobrevoar o médio oriente e o norte de África controladas por pilotos nos Estados Unidos a convergir sobre alvos elusivos e a despejar mísseis. Guerra à distância em tempo real. Não é muito falada mas não é secreta. Apesar do secretismo de alguns aspectos, as operações americanas são públicas e atraem atenções. Não as suficientes. Alguns milhares de soldados e ataques aéreos numa porção considerável da superfície não chegam para despertar o interesse dos media internacionais, excepto para a rara reportagem sobre guerras secretas contra o terrorismo e material militar de tecnologia de ponta. Uma guerra global que passa ao lado do escrutínio dos cidadãos.

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