quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Frankenstein Digital

Devo dizer que cada vez compreendo melhor e mais admiro o Dr. Viktor. A elegância mental do acto de pegar em partes infectas, peças carcomidas e carcaças postas de parte, para as reconectar com alguma precisão cirúrgica. Aplicar electricidade e ver o que estava descartado a ganhar novamente vida. Só apetece gritar it's alive, It's Alive, IT'S ALIVE no tom de voz inconfundível de Colin Clive na cena memorável de Frankenstein de James Whale em que a criatura ganha vida através da infusão liberal da electricidade dos raios que trovejam na tempestade e bobinas de Tesla. Sim, Dr. Viktor, há algo de divino no acto de com conhecimento e electricidade dar vida ao que se julgava fenecido. Mas no meu caso são todos aqueles computadores que ao longo dos últimos anos deixaram de funcionar por uma ou outra razão e finalmente tive tempo de resgatar das garras do oblívio fúnebre digital. Tal como a criatura, os computadores reconstruídos piscam os olhos e acordam novamente para o mundo. Mas trato-os melhor do que o fiel assistente Igor tratou a malfadada criatura cujo nome todos confundem com o seu criador, talvez o verdadeiro monstro da historia de Frankenstein.

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