terça-feira, 4 de setembro de 2012

Unthinkable


Mark Sable, Julian Tedesco (2010). Unthinkable. Los Angeles: Boom Studios
Imaginem um grupo de discussão muito especial, com especialistas em diferentes áreas que têm em comum a capacidade de imaginar o pior dentro dos seus campos. Juntos, têm como missão imaginar cenários impensáveis, onde as mais improváveis combinações de tecnologias e tendências se combinam em possibilidades ameaçadoras. Um romancista, uma microbióloga, um advogado, um hacker, um ambientalista, um cientista nuclear e um líder religioso apocalíptico são recrutados por uma organização obscura com possíveis laços governamentais para criar cenários implausíveis de terrorismo global. Anos depois, os cenários imaginados começam a acontecer. Resta aos sobreviventes do grupo de discussão descobrir quem está por detrás de uma sequência de ataques terroristas improváveis que coloca o mundo à beira de uma guerra nuclear.
Escrito à sombra dos atentados do 11 de setembro, Unthinkable parte de premissas muito interessantes: ciência de limites, cenários sociais improváveis, pulsões para guerras e possibilidades de criação de cortinas de fumo para despertar suspeições e ocultar as acções dos responsáveis reais. Infelizmente o desenrolar da história fica-se por uma espécie de sequências inverosímeis de acção onde os heróis incompreendidos percorrem o globo para tentar evitar novas fases dos cenários impensáveis e descobrir quem realmente está a puxar os cordelinhos de uma conspiração que implica atentados de bioterrorismo, invasões americano-israelitas do Irão, destruição das reservas petrolíferas mundiais e erosão das superpotências através de uma guerra nuclear entre a China e a Rússia, bem como a resolução do problema demográfico do subcontinente indiano através de uma troca de ogivas atómicas entre Nova Delhi e Islamabad. Tudo orquestrado por um supremacista branco em conluio com políticos e generais anti-corrupção e ambientalistas preocupados com a degradação do ambiente, graças a uma rede social.
Partindo de uma ideia brilhante Unthinkable descarrila em peripécias mal amanhadas. Para as histórias do comic ficam os dissabores do argumentista Mark Sable ao ser apanhado em aeroportos com o argumento, que provocou suspeitas da parte dos notoriamente zelosos agentes da segurança nos transportes aéreos americanos. Aparentemente, as ideias impensáveis são hoje tão plausíveis que causam desconfiança nos agentes de segurança. Sinal dos tempos complexos em que vivemos.


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