domingo, 30 de setembro de 2012

Evangelho da finança

As opiniões de António Borges são interessantíssimas. Este consultor regiamente pago que se arroga do papel de governante não eleito e mestre intelectual do corrente governo, diz muito nas breves palavras em que apelida de ignorantes os empresários portugueses. Mais do que foi salientado pela comunicação social. Gostei muito de o ouvir referir que quem não compreende o brilhantismo da medida da taxa social única estaria sempre chumbado nas aulas que dá (numa qualquer universidade onde alunos infelizes têm de passar horas a fio a perscrutar a sabedoria inata das palavras deste sábio teólogo da finança).
Foi o equivalente a ouvir um biólogo a declarar publicamente que qualquer aluno seu que não compreendesse o brilhantismo do criacionismo estaria automaticamente reprovado nas suas aulas. Assumiu que como professor o que lhe importa é que sejam propagados dogmas ideológicos. Um treino de uma legião de jovens engravatados crentes profundos no evangelho goldman sachs e na liturgia da alta finança. Há muitas outras razões para detestar as repugnantes palavras deste economista zelota daquela variante ideológica do mercado livre onde a mão invisível se desloca com enorme eficácia para encher o bolso dos oligarcas transnacionais e empobrece tudo o resto, mas como professor que sou não pude deixar de fazer este reparo. Eu ensino factos. E aluno meu que seja incapaz de ver o brilhantismo das minhas opiniões pessoais nunca seria penalizado por isso.
(p.s.: criacionismo é aquela pseudo-teoria favorita dos fundamentalistas cristãos que nega a teoria da evolução e procura provas biológicas que foi a mão de deus que criou o homem, os bichos, a terra e o universo, tal como está na bíblia. Também é conhecida como design inteligente, o que é paradoxal, porque o espaço cerebral da inteligência nos defensores desta pseudo-teoria está ocupado por cegueira ideológica e fundamentalismo religioso.)

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