terça-feira, 25 de setembro de 2012

Design Fiction


Fico surpreendido com a forma como os alunos apreciam o futurismo digital limpinho do A Day Made Of Glass, uma peça de design fiction produzida por uma vidraceira de alta tecnologia cujos vidros se podem encontrar nos ecrãs de muitos portáteis e tablets. A visão é conservadora e pequeno-burguesa, com uma família de classe média-alta a viver o dia a dia num mundo de computação ubíqua possibilitado por vidros inteligentes e interactivos que escondem debaixo da superfície transparente os circuitos electrónicos de uma realidade aumentada e responsiva ao utilizador. É uma visão que desperta a curiosidade e a tecnoluxúria. Perguntas inevitáveis: é mesmo assim? isto já existe? quando é que podemos ter coisas destas? aquilo é um telemóvel da marca xyz?


No que toca a visões de um possível futuro de realidades aumentadas que mesclam o real e o virtual, sempre achei que o conceito cacofónico e intrusivo de Augmented (Hyper)Reality mais realista. As superfícies frias e nuas cobrem-se com informação icónica e imagens virtuais supostamente projectadas na retina. O ambiente virtual está repleto de anúncios, que se podem fugir em breves momentos de consulta de informação pessoal ou regulando os níveis de publicidade. Mas que nunca desaparecem e fazem parte da paisagem virtual que o utilizador, resignado, navega no dia a dia.

Design fiction, ou a ficção ao serviço da visualização do possível, do provável ou do desejável.

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