segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Do Sangue e do Fogo

Um indomável tirano, chamado realidade, não se amerceia das vossas temerárias, ainda que esperançosas, fantasias. (p. 34)

não gosto que chamem "línguas mortas" a essas... enfim! As línguas não morrem: evoluem, transformam-se... e as suas fases mais antigas podem ajudarn-nos a decifrar aquilo em que nos tornámos hoje! Por exemplo, a antiga palavra latina humus significa a terra, o chão, a própria crosta do planeta... Mas foi dela que surgiu a palavra homem, e aqui a imaginação poética entra em jogo: o ser humano surgiu da terra a terra viva, mas adormecida como a Bela do Bosque Mágico, à espera do beijo, ou do sopro, do Senhor do Tempo que a despertará... Mas o próprio homem-humus tem de saber ganhar asas para não ficar agarrado ao chão, para não se humilhar e petrificar - é a outra face da moeda: humildade e humilhar também vêm de humus... (p. 181)

António de Macedo (2011). O Sangue e o Fogo. S. Pedro do Estoril: Saída de Emergência.

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