quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Constância

Acordar ao som de um assobio estranho. Por entre as brumas do sono e da memória, recordo-me do assobio único do amolador que, quando era criança, ainda se ouvia muitas vezes pelas ruas de Lisboa até ser extinto pela modernidade da sociedade de consumo que tornou obsoleta a necessidade de amolar facas. Em seguida, outro ruído inconfundível, o toque sincopado do sistema de aviso de colisão de um veículo em marcha atrás. O futuro transforma ruídos identificativos em arqueologia sonora e banaliza outros que futuramente estarão também condenados à obsolescência.

Sou de uma geração intermédia que ainda coexistiu com velhos hábitos, nem que os recorde de fugazes visitas às aldeias dos avós quando se era pequeno. A geração que me precedeu nasceu com carroças, caminhos de terra, rádio e isolamentos localizados e agora coexiste com auto-estradas, aeroportos, urbanismo alastrante e a internet. Mudança é factor de constância.

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