sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aventuras fast food

Confesso: um dos meus prazeres proibidos é devorar um bom e nada saudável hamburguer de fast food. Não é algo que indulga regularmente, pelas óbvias razões financeiras e de saúde, mas de quando em vez lá vai um naco de carne picada rodeada de cebola, queijo, pão e aqueles molhos especiais das multinacionais. Mas há coisas que me deixam siderado.

Sempre que passo por um burguer king e não resisto ao canto de sereia acompanho com uma coca cola. Burguer e cola, clássico. Mas não preciso de baldes para matar a sede, e por isso peço sempre uma cola. Pequena. E a resposta é sempre a mesma. Pequena não temos, só média, ou grande, ou gigântica, ou metade do depósito de um camião cisterna. Bem, então a mais pequena. Que é a média, dizem-me. Práticas curiosas de uma multinacional que pelos vistos começa a contar não a partir do um mas do cinco.

Se uma coisa aprendi nas minhas roadtrips por terras de espanha é que é um país que não funciona aos domingos e feriados. Por isso é que me vi num dia sufocante de agosto no sprawl ballardiano entre málaga e torremolinos esfaimado e obrigado a parar numa zona comercial de estrada deserta para almoçar no único sítio aberto em quilómetros em redor. Imagem mental: céu azul sufocante, calor húmido, hipermercados desertos ladeados de condomínios com varandas para o mediterrâneo. E um burguer king.

Pedido o naco de carne esmagada com gorduras e sal a rodos, fiz algo de inesperado. Pedi uma garrafa de água para acompanhar. Porque estava calor sufocante, e ainda me esperavam alguns quilómetros. A funcionária balbuciou qualquer coisa de incompreensível, irremediavelmente perdida nas traduções entre o meu espanhol inexistente e a incapacidade espanhola em entender inglês ou francês. Ao fim de muito gesticular, lá percebi. Não se vendia água naquele estabelecimento. Tinha bebidas processadas a rodos, cortesia de um self-service. Para combater o calor sufocante e hidratar as células poderia emborcar o que quisesse desde que fosse bebida açucarada e gaseificada. Água, esqueça lá isso. Mas nem uma garrafinha, implorei? É que está um calor abrasador e estou desidratado. Nada. Nem pensar em ver tal coisa na loja andaluz desta cadeia multinacional. Algures por entre a decoração pop da loja entrevi cartazes a anunciar o lado saudável das iguarias do burguer king.

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