domingo, 22 de julho de 2012

Até logo

Não são as palavras que nos falham, é a força para as dizer, a coerência para verbalizar os tumultos que perpassam pelos neurónios. Olhamos para trás e procuramos nas antigas palavras de outros algo que ajude a expressar o que sentimos. Mas no momento de as dizer, de olhar o destino e o mundo e fazer soar a voz, só três me ocorrem. Obrigado. Pela pessoa que sou, foi assim que me criaste. Dorme bem. Repousa de uma vida de lutas e esforços, alguns inglórios, alivia as dores desse eufemismo que é a doença prolongada. E... até logo, porque nos encontraremos, ou nos paraísos mitológicos ou onde realmente interessa, dentro de nós.

Estes foram os dias em que deixei de ser menino. Estás ao pé da avó e do avô, de quem não pudeste despedir-te. E o último adeus que tu querias discreto e para poucos não o foi, porque tocaste o mundo com as tuas mãos, e através de mim. Continuarei a esforçar-me por te deixar orgulhoso. Devo-te o meu ser. Dorme bem, pai.

(Vítor Manuel Gaio Coelho, 1943-2012. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.)

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