domingo, 6 de maio de 2012

Aprender a ler

Uma experiência de distracção humana e falta de memória numa era de sobrecarga informativa: esta manhã ao entrar no Facebook deparo com uma notícia sobre o falecimento de Vasco Granja. De fonte credível. Fazendo parte da geração que ficou marcada pelo excepcional trabalho de Granja na divulgação de estilos diversos de animação, fiquei tocado. Ainda pensei em verificar a notícia noutros jornais, mas deu-me a preguiça. Sem pensar, cliquei na opção de partilha e não pensei mais nisso.

Poucos minutos depois um dos primeiros comentários assinalava que a notícia já tinha dois anos. Grande ooops, pensei. É o que dá ler uma frase e não o resto do texto.

Ao longo do dia fui assistindo à notícia a replicar-se ao longo dos meus contactos. E assumo que não fui caso único. É estarrecedor ver como muitos simplesmente partilham informação sem ler o que estão a partilhar...

Este fait divers dá que pensar. Primeiro, na memória curta que temos numa era de informação instantânea. O caso tocante de há dois anos foi totalmente esquecido. O que marcou hoje amanhã já nem se regista na memória. Segundo, na forma como é fácil espalhar informação falsa. Mesmo que se vá tentando dizer que afinal as coisas não são bem assim, o mal já foi feito. E as palavras replicam-se. Terceiro, na nossa atitude perante a informação: lida de relance, partilhada sem sentido crítico. Diz-se que vivemos na era da informação. Depois desta experiência, fiquei a sentir que vivemos na era da informação superficial. Apanhados na rede da velocidade informativa incessante, esquecemos as mais elementares competências para lidar com informação: atenção e sentido crítico. No rodopio da velocidade o que está à volta torna-se um borrão.

Há lições a tirar deste pequeno acontecimento. A minha primeira? Voltar a aprender a ler.

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