quarta-feira, 30 de maio de 2012

Iron Sky



Iron Sky ganhou um lugar na minha galeria de maus filmes favoritos. Partindo de um enredo absurdo e excelentes efeitos especiais, esta espirituosa produção finlandesa é um dos mais divertidos filmes que vi nos últimos tempos.

Este filme pega nas mitologias sobre ovnis nazis e leva-nos ao lado oculto da lua, onde uma expedição lançada por uma patética presidente norte americana (caricatura intencionalmente descarada de Sarah Palin) capaz de tudo para ganhar votos descobre uma base nazi oculta. Escondidos pelas crateras, os fieis descendentes de übermenschen sonham em regressar à terra e estabelecer o quarto reich, banhando o planeta na bonomia nacional-socialista após aniquilarem todos os indesejáveis. As ambições desmedidas e o poder computacional de um telemóvel colidem numa invasão atabalhoada da terra onde se descobrem os segredos da exploração espacial militar por parte de todo o mundo... menos da Finlândia, private joke do filme. Uma de muitas piadas elegantes que se entretecem na textura de Iron Sky. Para travar a invasão nazi restam apenas os actos heróicos de um afro-americano que foi cientificamente arianizado após captura na lua e uma fervorosa e inocente nazi. Argumento divertido mas pouco lógico, mas enfim, nazis na lua... não há aí muita lógica, apesar das afirmações contrárias dos fãs de haunebus, vrils e ciência oculta avançada nazi.

Se a história nos diverte e deixa a rir, ou a pelo menos sorrir, é nos efeitos especiais que este filme se distingue. Arranca com uma recriação quase perfeita de uma alunagem. E deslumbra-nos com visões muito bem conseguidas de uma hipotética tecnologia nazi. Para fãs de dieselpunk este filme será um deleite, com os seus discos voadores rústicos, zeppelins espaciais e a insana arma secreta nazi, uma amálgama octópode de engrenagens, correias metálicas, osciloscópios de ferro forjado e painéis de controlo cheios de alavancas e válvulas. Estilisticamente Iron Sky está muito bem conseguido, com uma estética muito própria de tons retro e dieselpunk. Nota-se que apesar do grande profissionalismo dos efeitos especiais -e e um filme destes vive necessária e assumidamente destes efeitos estes são de relativo baixo custo, realista mas sem atingir os níveis de hiper-realismo do cinema de grande orçamento. Mas este torna-se outro dos encantos deste curioso filme saído da gelada Finlândia.

Iron Sky é um filme despretensioso que não se leva a sério, algo assumido pela descontração dos actores. Vive dos efeitos especiais conseguidos com inspiradoras modelações em 3D e de uma estética própria, misturando tendências retro com a iconografia mítica da super-ciência nazi. Ficção científica pura, bem humorada e estilizada quase na perfeição, e muito melhor do que em boa parte das produções mais tradicionais no género.

(E como é que este filme me chegou às mãos? Enfim. Não sou apologista, mas as probabilidades deste filme estrear em portugal oscilam entre o remoto e o inexistente. E se estrear, ou passar nalgum festival acessível, podem crer que estou nas primeiras filas. Ver Iron Sky em ecrã gigante deve ser um mimo para os olhos.)

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