sábado, 12 de maio de 2012

Bunnicula

Deborah Howe, James Howe, Alan Daniel (2006). Bunnicula: A Rabbit-Tale Of Mystery. Nova Iorque: Aladdin Paperbacks.

Não me perguntem onde encontro estas coisas. Mas assim que soube de um livro sobre coelhos vampíricos, tinha de o ir conhecer. A qualquer custo, mesmo se de enfrentar insalubres dentadas precisasse.

Bunnicula é um livro infantil e não é particularmente interessante. Contado sob o ponto de vista do cão de uma família, fala-nos das aventuras tenebrosas de um coelho especial cujo vampirismo se resume a sugar os sucos dos vegetais. O cão é laissez-faire, o gato alucina e os humanos, como é habitual nestas coisas, estão a leste de tudo. A prosa é sensaborona e os sorrisos provocados não cansam músculos faciais.

Não é interessante, mas não resisti. Coelhos vampiros? Suponho que a culpa destas coisas vem do Robert E. Howard, que para lá de escrever as inúmeras aventuras do bárbaro Conan ainda arranjou tempo para a novela Pigeons From Hell. Ou então de William Hope Hogdson e as suas criaturas porcinas de House on the Borderland. As fábulas antropomórficas de Esopo não transformam os animaizinhos engracadinhos em monstros tenebrosos.

Pensava que o ponto baixo das adaptações pop do lendário Drácula tinha chegado nos anos 70 com o inenarrável Blackula. Vampiros e blaxploitation ao mesmo tempo. Dois em um imbatível, e certamente mais interessante do que os modernos vampiros emo com as suas fixações castas em jovens adolescentes. Bunnicula, o coelho vampiro, vai-se juntar à galeria de variantes estranhas do icónico personagem de Bram Stoker.

No que toca a coelhos, este não é o mais arrepiante exemplo de horror leporídeo. Aí o ponto alto é o filme Night of the Lepus, filme onde o terror é causado pela invasão de uma cidadezinha por coelhos gigantes. Se o conceito já é absurdo, misturem-no com alguns dos piores efeitos especiais do género e actores totalmente ineptos. Como o descrever? Imaginem Godzilla. Imaginem agora que ao invés de um tipo dentro de um fato de borracha a pisotear prédios em miniatura este filme alternava entre actores em gritos histéricos e imagens de plácidas lagartixas ao som de música de suspense. Night of the Lepus é isso, essencialmente. A mais memorável das suas cenas mostra imagens de pacíficos coelhos a saltitarem alternadas com alguns dos mais disparatados efeitos visuais sangrentos.

Mas pronto. Lido, meio em diagonal porque a prosa não justifica leitura mais atenta. Mais um registo para o panteão de curiosidades bizarras do terror: o coelho vampiro. Cringe in fear!

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