sexta-feira, 11 de maio de 2012

Breakdowns

Art Spiegelman (2008). Breakdowns: Portrait of the Artist as a Young %@&*!. Nova Iorque: Pantheon.

Originalmente publicado em 1976, este é um livro que literalmente nos deixa espantados. É Spiegelman no seu mais radical e experimentalista, a inovar a cada vinheta, procurando novas formas de falar a linguagem da banda desenhada e quebrando todas as regras. Estes trabalhos autobiográficos e experimentais são uma lição sobre a procura dos limites de um género expressivo, e nalguns casos meta-reflexão sobre a estrutura semântica da gramática da BD.

Algo que surpreende é a aparente facilidade que Spiegelman tem de saltitar entre iconografias, manipulando o desenho à vontade das ideias e conceitos. Aparente, porque é algo a que só se pode chegar com muita reflexão e experimentalismo. Outros aspectos fascinantes estão na incorporação directa de iconografias vindas da pintura e televisão dentro das vinhetas ou a homenagem aos estilos gráficos de alguns dos mais marcantes criadores do género.

Spiegelman consegue misturar influências que vão da arte com A maiúsculo aos desenhadores de comics mais marcantes, digerindo-as de forma inovadora, estendendo as fronteiras do género. Se Maus é o livro que lhe granjeou o reconhecimento do grande público, a obra deste artista de BD não se esgota nas revisitações do holocausto em colisão com a antropomorfização. Esta colectânea mostra o lado mais bleeding edge da sua obra.

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