sexta-feira, 1 de julho de 2005

Blue Velvet

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Blue Velvet

Estava tranquilamente a comprar o jornal naquela papelaria ali ao pé do Jogo da Bola quando olho em volta e... as mágicas palavras Veludo Azul saltam-me à vista, num expositor de DVDs. Veludo Azul foi o filme que catapultou David Lynch como um realizador de culto. A estranha e bizarra estória de crimes violentos numa pacata e perfeita cidadezinha americana assume já todas as bizarrias que vão caracterizar a obra posterior de Lynch (catalizadas no estranhíssimo Lost Highway). Estrearam-se também Kyle McLachlan e Laura Dern, actores-fétiche de Lynch, nas andanças com o realizador. Veludo Azul é um daqueles filmes inesquecíveis, técnicamente perfeito apesar de pouco convencional, estranho e inquietante.

Lynch é um dos meus realizadores favoritos (como já perceberam), a par de Felini, Romero, Kubrick, Scorsese, Greenaway e Spielberg. Dos filmes de Lynch que vi, Veludo Azul foi o mais forte e inquietante, talvez por ter sido o primeiro que vi... perante a estranheza de Veludo Azul, a abordagem nada convencional à ficção científica em Dune já não parece tão estranha. E as visões bizarras de Eraserhead, o seu primeiro filme, encontram continuidade em toda a obra, embora Veludo Azul seja, nesse aspecto, mais suave na sua estranheza. Lynch é o realizador das obsessões - expressões bizarras, acontecimentos estranhos, cortinas de veludo vermelho, cores fortes mas suavizadas, canções fétiche dos anos 50. Lynch vai repetindo estes elementos, com variações ao longo da sua obra. Exceptuando, claro, Dune e O Homem Elefante.

8€ na papelaria. Edição especial, um achado. Irresistível, especialmente sabendo que os dvds a 5 eurios cada três não são certamente de filmes desta qualidade.

Inesquecível, a cena da cerca branca rodeada de rosas filmada contra um céu azul. Lynch pinta com a câmera de filmar e a mesa de edição.