domingo, 15 de maio de 2005

O Quetzal Sonhador VII/VIII

7.

Encontrei Foster no àtrio do que aparentemente tinha sido um edificio governamental. Estava sentado, encostado a uma coluna semi-coberta de hera, a estudadar atentamente uns papeis. Como não sabia realmente o que lhe podia dizer, limitei-me a ficar no pórtico de entrada a observá-lo.
Subitamente consciente da minha presença, Foster levantou a cabeça.
"Newman ! Por onde tem andado ?Não o tenho visto. "
"Por aí... por entre estas ruinas habitadas por quetzais. "
"Melodramático, Newman, muito melodramático. O que é que veio aqui fazer ? "
"Voçê chamou-me, Foster. "
"Eu... ?"
"Sim, todos aqueles papagaios caídos perto de mim... eram uma convocatória, não eram, Foster ? Porque é que eu estou aqui, Foster ? Diga-me. "
Ele olhou para mim longamente. Senti os olhos dele a percorrerem-me o corpo de uma maneira subtilmente obscena.
"Voçê anda á deriva, Newman. Vai até aos lugares mais improvaveis ... como posso eu saber porquê ? "
"Fui convocado aqui, Foster. "
"Aqui, à cidade ? Por quem ?... "
Eu senti Foster a rir-se. Não um riso exteriorizado. Foster estaria a brincar comigo ? Teria sido propositado? Teria Foster rodeado-me de papagaios coloridos caídos convocando-me só para ter o prazer de me rejeitar quando eu finalmente respondesse ao chamado ?
"Não à cidade. Aqui. Junto de si.Por si. Todos aqueles papagaios caídos... "
"Coincidência, Newman. Eu não sou um deus. Não convoco os meus fieis. E os papagaios não passam de uma coincidência. Talvez1 os seus pássaros tenham arrastado os meus papagaios até si..."
"Todos estes papeis, Foster... o que é que está a fazer?"
"Criando uma máquina. Uma máquina voadora. Para me libertar. Planeio voar para longe, muito longe detas ruínas. "
"Liberdade, Foster ? Isso... "


8.

No entanto, deixei-me levar pelo projecto louco de construcção de uma máquina voadora. Apesar da era das máquinas já há muito ter passado...