domingo, 30 de agosto de 2026

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Noriyoshi Ohrai, 1980: Decadências. 

Legendary magazine Starlog is being resurrected: Soa estranho, na era da proliferação digital e das literacias pós-alfabetismo (o que quer que isso seja), investir na imprensa. Na verdade, faz sentido - o público para o tipo de leitura profunda que a palavra impressa permite continua a existir, e, como sempre foi, é um nicho. 

The Best Jack Kerouac Books, recommended by Howard Cunnell: Confesso que me fico pelo On The Road. 

Dylan Dog 478 - Harlech AsylumAnexo: Il Francobollo Maledetto: Confesso que, sabendo que irei a Firenze logo no princípio de agosto, espero encontrar esta edição ainda nas bancas. Vou a trabalho (bem, mais ou menos), mas para mim, mal surge uma oportunidade de ir a Itália penso logo "que bom, posso atualizar-me com fumetti e reler o meu querido Dylan". 

Lovecraft lo creó como una broma, pero el Necronomicon ha existido en muchas formas y, de hecho, ha vuelto a las librerías: Talvez o mais lido, com inúmeras variações, de todos os livros ficcionais que nunca foram reais, mas o amor dos leitores obrigou a tornarem-se reais. Não temam, se seguirem as invocações poderão sentir o arrepio do horror, mas dificilmente invocarão os seres de além-espaço ou arriscam acordar aquele que dorme sob os oceanos. 

Projecto Hail Mary – Andy Weir: Deste autor li o The Martian, e chegou-me. Weir é um bom contador de histórias, numa onda hard sf pop, e por isso garante de leitura divertida.

Is It Really Possible To Map The Odyssey?: Tendo em conta que é um poema épico que colige uma tradição oral de mitos dos tempos onde o conhecimento geográfico era muito reduzido, será sempre uma impossibilidade. Mas compreendo o gosto pelo tentar. 

E parece que isto aconteceu: E aconteceu muito bem, um muito merecido reconhecimento ao trabalho e persistência do Luís Filipe Silva. 

Could We Stop Demonizing BookTok Now?: Se eu admitir que tenho descoberto leituras, algumas excelentes, outras nem por isso, corro o risco de ser considerado um acéfalo do tiktok? Esta plataforma é uma rede curiosa, cheia de maus vícios, mas também consegue funcionar como uma inesperada ágora para se falar de livros. Com a curiosidade adicional de raramente os booktokers se incluírem no marketing editorial, a esmagadora maioria dos que falam de livros no tiktok fazem-no por gostar do que leram. 

Paul Alexander: Aventuras clássicas. 

Meta, Google y Microsoft podrán seguir rastreando tus mensajes hasta 2028. A pesar de que la mayoría del Parlamento Europeo votó en contra: Usando um truque legislativo, o ChatControl passou no parlamento europeu. Por detrás do agrumento "vamos proteger as crianças", que é legítimo, passamos a ter uma lei europeia que permite às plataformas rastrear o conteúdo de todas as mensagens dos seus utilizadores, em busca de evidências de predação sobre crianças. Soa muito bem? De certeza? Então vejamos, sob esta lei, tudo o que nós partilhamos nas redes de mensagens privadas é legalmente rastreável, sem presunção prévia de culpa ou suspeição. As nossas conversas pessoais e fotos. Todas. O assalto à privacidade e intimidade de todos nós é notório. Já os criminosos sabem muito bem como usar dark web e redes privadas para comunicar. Notem que a pornografia infantil, essa aberração, não está disponível com simples pesquisas nas redes abertas. Façamos uma analogia: imaginem que para combater a violência sexual, todas as casas de banho tinham de passar a ser videovigiadas ou ter paredes transparentes. Para se ver tudo, e com isso garantir que nada de mal se passe. Estão a ver o problema, agora? 

Why we're all posting less on social media these days: Porque não vale a pena. Longe vão os tempos em que as redes sociais eram, enfim, locais sociais onde se partilhava a vida pessoal e as nossas ideias. Agora são uma nova versão do broadcast media, onde o que nos é dado é algoritmicamente otimizado para favorecer a adição às redes, e as nossas mensagens pessoais raramente chegam aos nossos grupos de amigos virtuais. 

Scientists Identify Most Degenerate Known ChatGPT User: Sejamos honestos, esperavam o quê? Este gosto humano pela sexualidade acompanha-nos desde a noite dos tempos. Já o estudo em si mostra pontos muito mais interessantes, que passam pelo uso de chatbots como forma de criação de mundos literários pessoais, usando a interação com IA como forma de desenvolver leituras ficcionais intermináveis, ao gosto exato do leitor. Por discutível que este gosto seja, e sim, tenho a noção que isto abala e muito o conceito de literatura. 

We Are Living in a ‘ChatGPT Flyer Pandemic’: Uma epidemia de horrores visuais que alastra pelo mundo fora. Não é novidade. Pessoas de uma certa idade poderão rebuscar a memória, recordando os velhos tempos do WordArt e da proliferação de clipart na comunicação visual? Lembram-se desses tempos em que era fixe meter títulos com wordart, quatro ou cinco tipos de letra diferentes nos textos, e decorar aquilo tudo com formas de cores sólidas e meter para lá imensos desenhos clipart? Pois, depressa percebemos que não era fixe, era foleiro, e esta tendência de uso da IA segue pelo mesmo caminho. 

Japan Plans Sovereign AI Model, 10 Million AI Robots by 2040: Pergunto-me se por lá a versão japonesa do comentariado e vox pop das redes sociais também refila contra este desperdício de dinheiro, para quê investir em modelos soberanos quando lá fora já se fez. Duvido, porque ao contrário de cá, lá sempre se levou a sério o investimento em ciência e tecnologia. 

A farsa da aprovação parlamentar do Chat Control 1.0: Isto é mau a todos os níveis. 

Pluralistic: "Rights for robots" and the AI slavery fantasy (10 Jul 2026): Doctorow, como sempre certeiro, a explorar as dinâmicas negativas do trabalho na era em que os capitalistas mais energúmenos parecem apostados em substituir as pessoas por máquinas. 

Ground Robots Inherit the Kill Zone: Um olhar para a aplicação da robótica militar na linha da frente da guerra ucraniana. 

EU says Facebook and Instagram's 'addictive' design is ilegal: Já o sabíamos, agora temos uma confirmação legal. Vai ter aplicação prática nula, mas pelo menos é um princípio. 

Can the Classroom Ever Be Automated?: Não. E a entrevistada neste artigo sabe isso muito bem, estou profundamente o tema da mecanização do ensino. 

We Are Losing the Ability to Discover What We Didn’t Know to Ask: Confesso que nisto tenho uma perspectiva ainda mais negativa, embora ao mesmo tempo positiva. Não me parece que a IA traga uma epidemia de analfabetos funcionais que delegam o conhecimento e pensamento aos algoritmos. Essas pessoas sempre existiram, e sempre foram a imensa maioria. Noutros tempos, eram as que seguiam à letra os ensinamentos do padre ou a sabedoria do feiticeiro, seguiam os ditames do senhor feudal e do chefe, agitavam-se com o jornalismo amarelo, vibravam com o futebol e as telenovelas primeiro na rádio, e depois na tv. A internet, e agora a IA, são as últimas tecnologias ao serviço desta massa informe de ovelhas humanas. 

The Lab Mistake That Might Revolutionize Computing: É interessante ver que na busca por tecnologias capazes de diminuir as necessidades computacionais da IA, o humilde mosfet acaba por ser uma das promessas para processar IA com menores recursos computacionais.

Christopher Nolan Unloads on AI Slop: Vai uma apostinha que num próximo filme de Nolan vai haver uso de IA, mas não visível e admitido porque estará incorporado nos fluxos de trabalho dos efeitos especiais.

Amália: O futuro do país não se muda com um prompt: Talvez dos melhores artigos sobre o modelo português. Notem, não podemos esperar milagres de um investimento que é inferior ao que o Metro de Lisboa gasta na manutenção de escadas rolantes. No entanto, existe, e tem potencial de crescimento.

Leituras da Semana (#122 // 13 Jul 2026): Ui, uma bicada. Ai, que doeu. Nem por isso, a discórdia é salutar. Sobre esta questão, é discutível se partilho a realidade com o resto das pessoas que me rodeiam, mas na verdade a resposta é puro (e assumido) elitismo. Um elitismo que vem do cansaçao de demasiados anos a desmontar o deslumbre do marketing ou a lidar com situações "eu queria mesmo o office porque é o que é bom, mas não quero pagar, tu que sabes arranja-me aí uma versão sem pagar". Sei, porque o sinto na pele, que as esmagadora maioria das pessoas quer coisas que simplesmente funcionem (e agora com a IA, que façam todo o trabalho por elas) com um mínimo de investimento cognitivo, de preferência zero. Algo que as empresas e o seu marketing exploram muito bem, apesar de criarem produtos que necessitam de um investimento cognitivo que geralmente é delegado para o amigo que sabe, o familiar "expert" ou para o marido (se se perguntam se já tive de ameaçar colegas de trabalho com processos no âmbito da proteção de dados porque delegaram no cônjuge essa tarefa difícil que é redefinir palavras-passe, e no processo dando-lhes acesso aos dados internos confidenciais, a resposta é que esse número não é zero). A vontade de não fazer investimentos cognitivos é uma característica generalizada na maioria das pessoas, mesmo que muitas vezes até tenham certificações superiores. É o espaço do hoi polloi, dos normies que temos de suportar todos os dias. Por ironia, as pessoas gostam daquilo que faço e da forma como o faço (estamos a falar da tecnologia educativa), apesar de ser baseada em mergulhos no lado duro e recusa completa de uso daquelas plataformas bonitinhas, fáceis e básicas como o carvalho sem v. É muito habitual desencorajar potenciais formandos, dizendo-lhes que do que conheço deles, não têm capacidade para fazer o que lhes poderia ensinar, ou receber críticas a sublinhar que mostrei coisas a mais e fui demasiado a fundo, o que para mim é a ironia suprema: professores, cuja profissão é no seu âmago estimular a procura do conhecimento, a refilarem por terem sido expostos a conhecimento. Tenho a noção disto. Apesar de bem tentar, não sou alheado da realidade. Sei que as pessoas sempre vão preferir o carregar no botão e já está, admirar o conforto do redil dourado das redes detidas por empresas, adorar os serviços que ocultam a complexidade por detrás de dois botões, o promptar a IA em vez de pensar sobre o assunto. É por isto que o Open Source não cresce, que todos se estão nas tintas para os dados e privacidade, ou que a tão propalada soberania digital europeia jamais há de pegar. Perante isto, sigo o caminho contrário, de uma imensa minoria que age e pensa diferente. Deixei, há muito, de trabalhar em prol do hoi polloi e sigo o meu caminho. E digo-vos que tem sido um calcorrear bem interessante, recheado de aprendizagens e pessoas que me inspiram. Desculpa a resposta direta, João, mas hey, snobismo digital ftw. 

Once Unimaginable, Publishers Are Preparing to Opt Out of Google Search: Para quê manter-se no redil da google, se não atrai tráfego e o conteúdo é ruminado pelos cada vez mais omnipresentes resumos de IA? 

Google Search will let you instantly generate AI images for free - here's how: Não sei quanto a vós, mas pessoalmente, não consigo pensar em coisa mais útil e fiável do que pesquisar imagens e o motor de busca gerar imagens de acordo com a minha pesquisa. 

Generative AI Is an Engineering Disaster: Uma tecnologia que funciona nos exatos antípodas da eficiênca computacional, material e energética. 

Let’s build a children’s public internet: Não, a internet não se tornou um espaço seguro para crianças (e nunca o foi). Mas a internet que temos hoje, é um ambiente hostil a todos, crianças e adultos, mantida assim para garantir os lucros de um punhado de bilionários. No entanto, temo que contrariar esta tendência siga mais pelos caminhos do autoritarismo e vigilância, vide chat control, do que no regular as práticas comerciais daqueles que enriquecem com este estado de coisas. 

Nokia’s 14 Years of Mobile-Phone Supremacy Ended in an Afternoon: De gigante da tecnologia a memória, a história de uma empresa marcante. 

AI Made Cloning Games Easier Than Ever: Para surpresa de ninguém, o vibe coding é uma excelente ferramenta para os chicos-espertos criarem clones dos jogos de sucesso. E fazer disso um modelo de negócio. 


Sky-Guns For The Murder Master!: Palpitações passadas. 

El cambio climático tiene un efecto secundario letal que apenas estamos descubriendo: nos encierra en casa y nos impide movernos: Senti isso na vaga de calor de início de julho. Reduzi o dia a dia a ir trabalhar, numa escola sem climatização e a suar as estopinhas mesmo mantendo os espaços de trabalho o mais frescos possível, e voltar para casa. Passeios cortados, idas culturais à cidade idem, deslocações apenas para o mais essencial. 

What if It’s Not the Phones?: Muito bem visto. Passamos a vida a culpar os telemóveis pela alienação adolescente, enquanto lhes construímos vidas altamente estruturadas, sem espaço ou tempo para o real desenvolvimento pessoal que emerge da autonomia. Hoje é impensável que um jovem tenha tempo realmente livre, ou está na escola (onde na maioria das vezes é transportado pelos pais) ou está em atividades, explicações, desportos. A ideia de tempo livre e autónomo está em vias de extinção, e resta-lhes os espaços virtuais como única zona livre da interferência e vigilância dos pais. 

The End of Reading Is Here: Será? De volta e meia leio estes artigos a lamentar o baixo nível generalizado de leitura, e a falar da pós-literacia trazida pelos ecrãs. Embora perceba os argumentos, tendendo a concordar, não consigo encarar esta visão como realmente representativa de uma catástrofe cultural. Porque não recordo um tempo passado idílico onde toda a gente andava pelas ruas de livros debaixo do braço, a discutir nos cafés Eça e Dostoievsky. Bem pelo contrário, recordo um percurso escolar onde o gosto pela leitura era mal visto pelos alunos (quem lia, era o "crânio", versão anos 80 depreciativa do nerd de hoje) e pelos professores ("ah, gostas de ler, mas não devias ler essas coisas, devias ler aquilo que os programas consideram importante). Nos cafés discutia-se a rádio e televisão, enquanto se passava os olhos pelos jornais. Ver alguém nos transportes públicos a ler era uma raridade. Recordo as inúmeras viagens de comboio interurbano que fazia na viragem do século, quando morava em Santarém e trabalhava na zona de Vila Franca. Comboios sempre cheios de passageiros que faziam vida de exúrbio. E recordo-lhes as expressões de vazio durante a viagem, ou o dormitar. Não, as viagens não era uma animação da conversa e socialização espontânea que tantos dizem que os telemóveis vieram matar. E não, tirando alguns que liam o jornal da manhã, este tempo morto do dia a dia raramente era preenchido pelas leituras profundas que, a acreditar neste tipo de artigos, eram a rotina de um passado que na verdade nunca existiu. A verdade incómoda é que a leitura, em especial a leitura profunda, sempre foi um hábito intelectual de nicho. 

"Lo he olido": los artistas están empezando a pedir a sus fans que no se hagan caca en los conciertos, aunque pierdan el sitio: Coisas que acontece quando o late stage capitalismo coloniza a cultura. Os festivais já foram divertidos, agora são eventos de marketing cheios de eventos, ativações de marca e promoções, com música pelo meio, na grande maioria da mais banal e comercial. Neste tipo de ambientes, de marketing performativo que reduz os fãs a elementos para encher o cenário de sucesso, não surpreende que o ambiente degenere desta forma. 

 Aliens, finalmente. Trump e as promessas de revelação: Estratégias de distração. 

"Es la esencia de Río de Janeiro": El turismo masivo ha encontrado un nuevo filón en el lugar más insospechado, las favelas: Não é uma tendência nova, mas é um certo gosto de capitalismo terminal o ir ver como vivem os pobrezinhos.

How the Elite See Rome: Visitar museus fora de horas e sem as chusmas de turistas, descobrir recantos que poucos conhecem, numa elitista intersecção entre alta cultura e capitalismo. 

En su asalto por conquistar las vías francesas de alta velocidad, Renfe ya conoce cuál es su verdadero futuro: Portugal: Bem, vou assumir que quem sonha com isto não conhece a desastrosa realidade da ferrovia portuguesa.