Photo: Continuamos sem saber como.
Sci-fi horror film Backrooms is a triumph for its 20-year-old diretor: Já vi, e embora não seja um filme perfeito, gostei. O mais interessante nem é a história em si, mas os ambientes arrepiantes de estranheza através de arquitetura banal quase normal que utiliza. Ou seja, a essência do conceito e estética dos backrooms, cuja sensação é a que perdura após a visualização.
Devaneios com URL: Olhares urbanos, entre o fantástico literário e a realidade que parece fantástica.
Six Books That Take You to Space: Sugestões de leitura na área da FC clássica.
The Great Divide: Creativity Before And After AI: No fundo, é isto - "Perhaps you’ve started treating books, articles, essays, and emails written today differently from anything before, say, 2022. On hearing a polished sonnet in effortless iambic pentameter at a wedding toast, you may now smell a rat. If that reflex hasn’t set in yet, my bet is that it will soon."
The ‘Doctor Who’ Situation Is Even Worse Than We Thought: Não será o fim de série, mas diga-se que a partida do argumentista que tem sido um dos seus criadores mais influentes abala, quer o fandom, quer a série em si.
Doctor When: Warren Ellis a colocar o dedo na ferida da cultura pop - tem sido um remastigar de velhos ícones, e estamos a chegar ao momento em que se sente o esgotamento total deste modelo: "One or two swallows don’t make a summer, but right now it looks like old science fiction inflected IP is reaching a hiatus point."
The Best Sci-Fi & Fantasy Novels, as Chosen by Fans: the 2026 Hugo Awards, recommended by Sylvia Bishop: Os destaques e vencedores dos Hugo deste ano.
Final Cut: É uma excelente edição, que traz o traço e o imaginário de Charles Burns para os leitores portugueses.
Space Pirates Of Xarpot: Delícias pulp.
Social Media Is Now Parasocial Media: Diria que danah boyd até foi simpática. O caminho correntemente trilhado pelas redes sociais é mais de redes anti-sociais. O dedo está na ferida - a promessa, cumprida nos seus tempos iniciais, de interligação e laços interpessoais diluiu-se com os incentivos à monetização das redes. Primeiro, a curadoria algorítmica que privilegiou discursos negativos para garantir a atenção dos utilizadores (trazendo com isso consequências de extremar da vida social que estamos hoje a sentir na pele). Agora, o abandono da ideia de rede social como local virtual onde partilhamos o que gostamos e queremos ver aquilo que os nossos amigos partilham, em direção a uma espécie de broadcast media onde o conteúdo banal de influencers e o conteúdo sintético gerado por IA são privilegiados em detrimento do que os utilizadores publicam. É um efeito real. Noto, nas redes meta, esta invasão em força. Recentemente fiz uma limpeza aos criadores que sigo no instagram e reparei que boa parte deles tem publicado regularmente, mas apesar de os seguir, o que fazem não me chega ao feed social. Há alternativas, redes descentralizadas (o fediverso, essencialmente, e o bluesky em menor medida - o ter sido fundado pelos criadores do twitter não me enche de confiança sobre a suposta abertura dessa rede) onde não há algoritmos que medeiam o que é publicado e o que nos é permitido visualizar. É a alternativa possível à destruição das ágoras digitais pelo capitalismo extrativista.
Racist comments targeting politicians tripled since Meta relaxed its rules: Mas isto, não é uma consequência. É intencional. Quem decide isto sabe muito bem que o discurso de ódio rende visualizações.
We Are Crowd-Sourcing the Panopticon: O nosso afã em registar tudo, a omnipresença das câmaras entre a videovigilância e os telemóveis, é uma enorme benesse para as forças repressivas. Mesmo nos estados democráticos, a tentação para abusos de poder existe.
Your Search Results Are Getting Sloptimized: SEO para a era dos chatbots, ou a inserção de textos pensados exclusivamente para convencer chatbots de IA a aconselhar bens e serviços aos seus utilizadores.
Fully autonomous drones have killed human soldiers for the first time: A questão que se levanta, é porque demorou tanto tempo a acontecer isto, dada a intensidade do conflito na Ucrânia.
What it feels like to work with Mythos: Se por um lado é fascinante ler sobre as capacidades deste novo modelo da Anthropic, a verdade é que sabemos que o deslumbre durará até ao próximo modelo incrível e fantástico que fará esquecer o brilhantismo dos anteriores. É o ciclo de hype da IA, em contínua aceleração.
Meta reportedly moves to unwind $2B Manus deal after Beijing’s demand: Esta é inédita, e discreta. Notem que se fosse Bruxelas e não Beijing a obrigar à quebra deste negócio, teríamos o habitual coro de refilice contra o excesso de intervencionismo da comissão europeia. Com os diktats do camarada Xi, ninguém refila. Não surpreende, o mercado chinês é demasiado apetecível.
Anthropic shuts down Fable, Mythos models following Trump admin directive: E se isto não funcionar como um toque de alarma (mais um…) sobre a excessiva dependência europeia de tecnologias desenvolvidas nos estados unidos, e, por isso, sujeitas às suas leis e caprichos dos seus líderes, estamos mesmo em maus lençóis.
What Machines Dream Of: A história da robótica, vista sob a lente das artes digitais.
These Logs of ChatGPT Allegedly Driving a Suicidal Woman to Her Death Are Deeply Disturbing: A primeira questão é porque diabos se acha que um chatbot pode ser um auxiliar de saúde mental (e isto é o clássico paradoxo perigoso que Weizenbaum identificou com o seu ELIZA, o nosso gosto em abrir a alma a interfaces digitais). A segunda questão, é porque diabos quem trabalha do desenvolvimento destes chatbots não assume responsabilidades pelo óbvio descuido na sua implementação.
Grecia se las prometía muy felices cuando automatizó la vigilancia del tráfico a una IA. Hasta que se puso a multar: Os riscos de implementação de algoritmos, sem as devidas precauções. Note-se que os erros indicados passam-se em situações de baixa luminosidade, onde é mais difícil à visão computacional reconhecer com rigor aquilo para que foi treinada.
Pluralistic: AI and amateurism (15 Jun 2026): Destaco um pormenor, que bate muito certinho com a minha própria perceção: "And while I am broadly very skeptical of AI, and deeply alarmed by the proliferation of "vibe coded" software in production environments, vibe coding for personal projects is a useful and exciting addition to the lineage of tools that let computer users decide how their computers will work."
Leituras da Semana (#119 // 15 Jun 2026): O destaque que fiz ao texto de Doctorow segue outros caminhos (parece sincronismo, não parece?). Já o João destaca, e muito bem, as relações de interesses e poder que estão a direcionar a introdução forçada da IA no mundo laboral. Quanto à observação sobre os iPads, João, só te posso dizer que há muito que sinto isso. Houve uma altura em que olhei com imensa atenção para os dispositivos móveis, pensando que a mobilidade e portabilidade iriam ser excelentes ferramentas criativas. O uso depressa me fez perceber que não seria assim. Não por questões inerentes à tecnologia em si, ou à capacidade dos criadores de aplicações, mas sim por ter compreendido que os pilares de desenvolvimento para dispositivos móveis estão direcionados para consumo e entretenimento. Isto, foi uma óbvia opção de quem desenvolve os dois principais sistemas operativos móveis. Repito: não é uma questão técnica ou de interfaces, é uma escolha de gestão. A IA está a seguir o mesmo caminho, com a agravente dos muito previsíveis impactos negativos que já estamos a ver.
A Day In The Life Of A Principal Using AI: Uma partilha interessante, que mostra como a IA faz imenso jeito para o tédio das tarefas administrativas.
The EU won't pursue a mandatory game preservation law: Ou, sendo mais direto, desconsiderando o gaming como cultura.
sharkchunks: H.R. Giger’s early works: Clássicos.
Rheinmetall signs deal to build heavy-lift military drone: Entre as lições da guerra ucraniana e uma possível resposta às recentes capacidades chinesas neste domínio.
Did a Chatbot Write a Prize-Winning Story? Does It Matter?: Os riscos dos juízos estéticos baseados na suposta sabedoria das massas.
Villa Baviera y Colonia Dignidad: la sórdida historia del retiro dorado de los nazis en el interior de Chile: Do legado nazi ao dark tourism, uma localidade bucólica que deu abrigo a torcionários e criminosos de guerra.
A vida de um desempregado à espera do apocalipse laboral: O artigo captura muito bem o zeitgeist das novas gerações, entre a espada do desemprego e a parede dos delírios da extinção laboral via IA. Se bem que, pelo apelido do autor, suspeito que o seu drama de jovem desempregado é bem mais leve do que os de recém-licenciados da classe média suburbana, que não têm a vantagem de ter um apelido sonante e os contactos familiares que o acompanham.
De dónde viene la electricidad en cada país del mundo, contado en un mapa imprescindible: Ainda longe do que desejaríamos ser o melhor para o planeta, mas a transição para energias limpas é hoje uma tendência imparável.
ANOS 80, GUERRA FRIA E UMA BASE AEREA PORTUGUESA - 1ª parte: O artigo é interessante, especialmente pelas fotos antigas de aeronaves, mas fica por dizer qual a base aérea de que fala. Assume-se que Beja, talvez, pelo seu caráter como zona de treino internacional?
Billionaires’ Billions Are Increasing Faster Than Ever: Não, por muito equilibrado e moderado que se seja, não é possível ver este disparo de riqueza acumulada nas mãos de um punhado de pessoas como algo positivo para a humanidade.
The world’s first trillionaire is a killer: Claro, esperavam que alguém quisesse acumular tanta riqueza sem ser um completo sociopata? O artigo olha para a forma como a gestão muskiana do departamento de eficiência, que cortou a torto e a torto em todos os programas sociais do governo norte americano, teve consequências letais. Desde o regresso da fome a zonas carenciadas do planeta, à incontrolabilidade de surtos epidémicos graves. Mas hey, haver trilionários é algo aspiracional, certo? O resto da humanidade que se lixe.
Has The 21st Century Been A Creative Blank Space?: Sim. Mas, também, não. Sente-se a cultura, especialmente a pop, fossilizada no facilitismo da nostalgia, no lucro fácil da propriedade intelectual repetida e explorada à exaustão. Mas, nas fímbrias, há quem desenvolva novas estéticas e obras desafiantes.
Software Update Automatically Turns off Amazon Delivery Drivers’ AC During Dangerous Summer Heat: Algo me diz que esta atualização de software, tão poupadinha de energia e ambiente, não se aplica aos veículos, aviões ou iates do dono da Amazon.
No pueden pagar el delivery, así que la Gen Z coreana ha encontrado su chute de dopamina en apps que no venden nada: Vá, não é uma epítome máxima do capitalismo um comportamento cultural em que por falta de dinheiro, se ande a navegar por apps de compras falsas só para ter o gostinho de uma pseudo-participação no frenesi do consumo.
Como o Norte transformou o kitsch numa “cena estética”: Um cruzamento inesperado entre estéticas pimba, nostalgia e o momento contemporâneo.