domingo, 26 de julho de 2026

URL

Art by Philippe Caza for Simulacres: Clássicos francófilos.

The best books on Mythical Creatures, recommended by Katherine Arden: Para os amantes de dragões, lobisomens, unicórnios e outras criaturas de sonho. 

Lançamento: H-Alt 15: É bom ver que este projeto ainda mexe. Sempre destaquei a H-alt pelo espaço que dá aos novos criadores, e espero que este próximo número mantenha essa tendência. 

XXI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja - Programa, Autógrafos & Feiras: Aquele festival onde adoraria ir, mas nunca consigo. 

What Our Youthful Book Typologies Say About Us: A importância das leituras formativas na forma como evolui a nossa mundivisão. E, confesso, como leitor que apesar de ter tentado, nunca conseguiu perceber a piada de Tolkien, bem como me ter bastado um leve sabor a Ayn Rand para perceber o quão odienta era, isto é falar-me ao coração: "I could not get into Tolkien or really any fantasy that involved orcs and swords and stuff. I was cool with magic and evil (see The Dark is Rising) but epic battles bored me. I didn’t meet any Randoids nor read any Ayn Rand until college, and thankfully I’d both developed a sufficient conscience and care towards my fellow human and taste in literature to be utterly immune to her charms by that time." 

World War 2 Nonfiction Books, recommended by Tim Bouverie: Recordar a II Guerra, pela voz daqueles que nela participaram. Não nos campos de batalha, mas nos gabinetes de decisão. 

Novidade: Ficção Científica Capitalista – Michel Nieva: Uma leitura provocadora, de um ensaísta argentino. 

How To Read A Novel: Confesso que não sou grande fã desta visão utilitarista da literatura, como se a sua mais alta função fosse o contribuir para a formação do espírito dos engenheiros e cientistas. Mas, de facto, a grande literatura ensina-nos a ver sob outras perspectivas.


*No less a man than Jack Kirby: Robots humanistas.

The AI Layoff Trap: Uma forma elegante de dizer que o capitalismo se devora a si próprio. Enquanto os CEOs se babam com a introdução de IA para se livrarem da fedorenta mão de obra humana, esquecem um pormenor basilar das sociedades: sem trabalhadores não há consumidores. 

No, Artificial Intelligence Is Not Conscious: Ted Chiang, numa desmontagem perfeita do mito da IA consciente: "Generative AI is harmful enough when we understand it as a conventional technology, but if we confuse fluency at generating text with consciousness or moral agency, we’re at risk of assigning responsibility to entirely the wrong parties whenever anyone uses a chatbot. To appreciate the titanic magnitude of this error, we need to begin by understanding how LLMs work." Quem é Chiang? Parte da minha rede conhece-o. É talvez um dos melhores escritores deste princípio de século XXI, notável pelos seus contos rigorosos e densos, que não se revelam em leituras superficiais, e muito focado nos entrechoques entre o humanismo e a tecnologia. Lendo esta reflexão, suspeito que terei de me atirar a um clássico duro do século XX para melhor entender,  explorar e explicar IA - Simulacros e Simulação de Baudrillard. Tal como Chiang, incomoda e preocupa-me este antropomorfismo simplista com que tão alegremente discutimos IA. Até porque, recordando a célebre lição little britain do sketch "computer says no", atribuir agência a algoritmos é a desculpa esfarrapada que permite a tantos safarem-se de assumir responsabilidade pelas consequências dos seus atos. 

Co-Existence and the End of Co-Intelligence: Ou, o paradigma de extração maximalista do capitalismo a estragar um dos desenvolvimentos tecnológicos com maior potencial capacitativo. 

La Unión Europea presenta su plan de soberanía digital para competir con EEUU tecnológicamente. Es una maravillosa utopia: Bem, espero que isto se traduza em mudança real. Não será fácil, não só porque nós europeus não temos serviços à altura e escala do que a google e microslop, mas também porque a inércia dos consumidores impede que as alternativas europeias adquiram a escala necessária. Quero ser otimista e pensar que ainda não vamos tarde, mas não vejo a tarefa como fácil, nem se resolve à maneira da UE, com belas declarações de intenções e legislação bonita no papel. 

Hollywood Is Using AI – Like It Or Not: Como não poderia deixar de ser. A IA são os novos efeitos especiais digitais, e recordo-me que quando surgiu o 3D, levou com o mesmo discurso de artificialidade e falta de humanismo que estamos agora a ouvir sobre a IA. E se acham que é o chico-espertismo dos proponentes da IA sem ética que faz coisas como criar versões sintéticas de atores, recordem o que é que a franchise Star Wars fez para poder mostrar Peter Cushing no ecrã, com  uma simulação 3D, muito antes da IA ter tornado isso fácil. 

Pluralistic: Criticizing the everything machine (06 Jun 2026): Ou, como encontrar argumentos de crítica válida à IA perante um oceano de generalizações vagas. 

El mayor culpable de la adicción infantil a las pantallas no es el algoritmo de TikTok: son los propios padres: Nem se trata aqui da muito óbvia falta de regulação parental sobre os seus filhos. Tem mais a ver com os hábitos dos adultos, que dão o exemplo para os mais novos. 

CEO Says There Will Be No Raises Because He Spent All the Money on AI: E, quando se perguntam como é que uma tecnologia tão interessante como a IA se está a tornar tão odiada, têm aqui mais uma pista para perceber o porquê. 

Pluralistic: Delusion as a service (04 Jun 2026): O facto de sabermos que um dado produto ou serviço tem efeitos secundários nocivos não é razão para o fechar. Mas é razão para se adotarem as devidas medidas de segurança para mitigar os efeitos nocivos. Algo que a indústria da IA se anda a esquivar. 

Devices Down Is The Wrong Goal: Fico sempre pasmado com a baixa qualidade intelectual da discussão sobre a tecnologia na educação. O debate oscila entre o deslumbre completo, o meter computadores nas mãos dos miúdos para qualquer contexto, e a rejeição total dos ecrãs. Os argumentos, no fundo, são sempre os mesmos. De um lado uns que afirmam a pés juntos que a digitalização vai trazer um disparo nas aprendizagens; outros, que será um desastre neurocognitivo (o argumento é essencialmente o mesmo, visto com duas faces). O que a realidade mostra é que nem uma coisa, nem outra. Se introduzirmos o digital para fazer o mesmo tipo de práticas rotinadas, como o tédio das folhas de exercício a exposição contínua a apresentações, apenas introduzimos ruído eletrônico onde nem é necessário. Se não há um sistema de controlo claro, a facilidade de resvalar para o lado distrativo é muito elevada (e, o que esperavam de crianças e jovens, que ficassem de olhos arregalados a ver powerpoints em vez de dar um salto ao tiktok?). Por outro lado, se as atividades tirarem partido daquilo que o digital tem - plataformas de conhecimento e, acima de tudo, capacidade de criação, desde os humildes textos à programação e robótica, ou seja, a produção de artefactos digitais como forma de abrir caminhos de aprendizagem. Se fazem com o computador exatamente o mesmo que fariam com o manual ou o quadro, não faz qualquer sentido usá-lo. No entanto, isto é raramente discutido nestes debates (daí o meu resmungo sobre a incapacidade intelectual de quem os tem). É sempre o digital como panaceia, ou como maldição. 

China's all-round dominance, from batteries to medicine, from high-speed trains to AI: Enquanto os Estados Unidos se afundam no obscurantismo e ganância, e a Europa afirma uma relevância que não está a dar passos concretos para manter, a China tem dado passos concretos. E isso está à vista. De fábrica low cost do mundo, passou a pólo de desenvolvimento de tecnologias de ponta. Está a ter a capacidade que os europeus, demasiado ocupdados em comités, e os americanos, demasido cegos pela ganânca, não têm - o de transformar inovação tecnológica em produtos, bens e serviços avançados e de custos razoáveis. 

Ukraine crosses new line: drones kill Shaheds on autopilot: Uma evolução lógica dos drones em combate. 

The Voyager | David Em: É muito interessante ler o que um criador veterano dos primórdios da arte digital tem a dizer sobre a IA Generativa: "Anyone can take a photograph. That doesn’t make you [Henri] Cartier-Bresson. For me, AI is a partnership. I am directing it, but it suggests things. Together we evolve the work. The speed is unbelievable." 

What’s Gone Deeply Wrong With Social Media: Uma análise sobre o conceiro de merdificação proposto por Doctorow, que entre muita coisa certeira, nos mima com isto: "“The professions [that are the first to be] absorbed by AI are [the ones that are tied to] companies that aren’t concerned with doing a good job,” the essayist notes. “Poor quality content, poor quality advertising, poor quality music, poor quality emails… it’s like doing homework. We’ve standardized education so much that the goal isn’t learning, but rather the completion of formal requirements, meaning that it’s easy to grade using the same criteria. And the way to do that is to eliminate qualitative aspects… even though writing, without qualitative aspects, is garbage. If the analytical or creative component doesn’t matter, why not just ask AI to do it?”". É particularmente certeiro no campo da educação. A sanha avaliativa, o foco nos resultados, nas notas, levou-nos a um sistema desumano onde a verdadeira aprendizagem é secundarizada a favor de uma obsessão por resultados metrificados. Tornou-se um sistema transacional, uma realidade paralela auto-centrada socialmente importante mas pouco relevante. Ou seja, campo perfeito para quem percebe que se o objetivo é o número e não o conhecimento, a IA faz a coisa sem esforço. 

Five things you need to know about AI: entre o hype e os medos, a sensação de aceleração e os usos abusivos.

Apple’s best AI idea looks a lot like vibe coding: Vejo utilidade nisto. O vibe coding é um desenvolvimentos mais interessantes da IA, porque democratiza a capacidade de criar pequenas aplicações totalmente à medida e vontade dos utilizadores. 

Judge Learns Lawyers on Both Sides of Case Used AI, Cancels Trial, Kicks Everyone Off the Case: Quando as capacidades da IA chocam com a infinita capacidade para o chico-espertismo dos pouco (ou nada) escrupulosos, dá nestas.

The Computer Science Degree Isn’t Dead: Dizer que com a IA já não é necessário aprender engenharia informática é uma estupidez tremenda (e ouve-se por aí). Na verdade, é ainda mais necessário que existam pessoas capazes de conhecer a fundo as linguagens da tecnologia.

Starblazer: Clássicos.

Larry Ellison quiso alimentar al mundo cultivando lechugas en su isla privada: las regó con 500 millones de dólares: O problema do solucionismo dos bilionários, aqui bem mostrado através da alucinação de um que enterrou somas astronómicas em propostas milagrosas de agricultura futurista, sem que não tenha grande coisa para mostrar como resultados. 

Bitcoin Is Taking a Nasty Swim: Será uma flutuação, ou estaremos a assistir ao momento tulipa holandesa das criptomoedas. 

F-15E Pilot Downed Over Iran Had Also Survived Kuwaiti Friendly Fire Shootdown at Start of War: Há pessoas com uma sorte macaca. 

Cameron’s World: Recordar os velhos tempos da internet livre e criativa, antes dos redis das redes sociais e o predomínio das stacks. 

Are The Arts Simply Incompatible With Right Wing Government?: Sim. Direitolos e cultura são conceitos antagónicos. Não é que sejam incultos, o que causa este fosso é o seu gosto pela limitação da liberdade (apesar de apregoarem o oposto) e sedução por reprimir o que lhes desagrada. 

Brasil ha logrado algo más histórico que su sexto Mundial: ser el primero en Latinoamérica en tener su propio avión de combate supersónico: A Embraer é um caso de sucesso, na aviação civil e militar, e dá novos passos para manter e fazer evoluir as suas capacidades industriais. 

Artists Threaten Lawsuit as Venice Biennale Award Crisis Deepens: A geopolítica a tocar no mundo das artes. Quando a bienal de Veneza deste ano foi forçada, sob ordens de tribunal, a aceitar exposições vindas de países sancionados ou associados a genocídio, o júri do seu prémio demitiu-se todo, para não se ver associado a genocidas. A queixa veio, claro, desse ninho de fascistas assassinos que é Israel. A instituição instituiu um prémio alternativo, e agora são os artistas expostos que recusam abertamente a sua nomeação para esse prémio, precisamente pelas mesmas razões que levaram o júri do prémio oficial a demitir-se - não querem partilhar espaço com representantes de genocidas. A cereja em cima do bolo, é que a organização finge fazer orelhas moucas ao pedido dos artistas, alegando questões técnicas. Isto é um pouco como o festival da canção, boicotado por muitos países por causa da presença de Israel, mas em versão erudita. 

The Philosophy of the Out-of-Office Email: É um hábito pouco habitual na minha profissão, suspeito que por causa daquele mau hábito que vê a docência como vocação e não emprego, e parece que fica mal não estar sempre disponível para respostas. Prefiro não fazer isso, e sempre que estou fora, quer em trabalho quer de férias, coloco uma resposta automática a indicar que as mensagens que me enviarem não serão lidas até ao meu regresso, e contactos alternativos para questões que sejam mesmo necessárias. Não deixo mensagens filosóficas ou gabarolices de ócio, prefiro um estilo o mais impessoal possível. 

MrBeast, sobre su fortuna: "Tengo la cuenta en números rojos, pido prestado dinero, ese es el nivel de poco dinero que tengo": Não derramem lágrimas sobre a pobreza deste rico. Na verdade, é um bem conhecido esquema para se esquivar a pagar impostos. Em essência, o ter pouco dinheiro na conta e poucos bens em nome pessoal disfarça o terem a chamada riqueza de papel - o valor de capitais que por serem considerados investimento, lhes permite não pagar impostos sobre a maior parcela da sua real riqueza. É todo um sistema montado para beneficiar uma minoria, prejudicando toda a sociedade. 

El problema de los coches estadounidenses en Europa no son los aranceles: es que no nos interesan lo más mínimo: Não há birras trumpistas que ultrapassem o óbvio. Por cá, só os azeiteiros é que apreciam carros demasiado grandes e devoradores de combustível. 

Ukraine Is Not Losing. Russia Is Not Winning: As capacidades táticas trazidas pela forma inteligente como os ucranianos combinam sensores, sistemas tradicionais e drones, são um novo marco de desenvolvimento nas tecnologias de combate. 

The Absurd World Cup: Portanto, não ocorre a nenhum dos amantes do futebol que celebrar o Pride com um jogo entre o Egipto e o Irão é ridículo? Não são países conhecidos pela sua tolerância. Até vou mais longe. Já há muito que a FIFA, organismo notoriamente corrupto, transformou o desporto favorito das massas num sumidouro de dinheiro para os bolsos dos seus comparsas. E nós, nas democracias ocidentais, temos de viver com este paradoxo - defender a liberdade e transparência ética, enquanto as populações e os políticos adulam o frenesi futebolístico assente na mais pura e visível corrupção. 

How to Stop a Killer Asteroid: Missões de astronautas-perfuradores de petróleo não estão incluídas nesta lista. 

Leituras da Semana (#118 // 08 Jun 2026): Duas leituras muito pertinentes. Por um lado, o orgulho LGBT visto além do lado de show dos desfiles, recordando os dramas pessoais e sociais dos que não são heteronormativos (e não, não é uma "escolha", "lifestyle", ou "moda passageira", é algo íntimo e muito pessoal). Por outro, o óbvio racismo por detrás de algumas invocações da antiguidade clássica, centrando-se nalguns aspetos mais do agrado dos suprematistas brancos do que da realidade histórica. 

El secreto de Brasil para convertirse en la primera nación de Latinoamérica con su propio caza supersónico es una cifra: 40: Como o artigo bem observa, a verdade é que não existe realmente um produtor único que integra todas as capacidades de desenvolvimento de aeronaves avançadas, antes, é uma complexa cadeia de fornecedores globais. A Embraer está a explorar muito bem estas oportunidades, e por cá também temos empresas inseridas na cadeia de desenvolvimento do Gripen.