Art by Ralph Reese for the cover of Metal Hurlant 79, Sept 1982.: Retrofuturos.
The Film That Attacks You: É sempre bom redescobrir Un Chien Andalou, um filme que ao vê-lo pensamos que hoje seria demasiado provocador para ser feito. No entanto, na fímbria criativa com IA que se pode encontrar nalgumas redes sociais (pensem Instagram artístico e o espaço muito bizarro que se apelida de TikTok borderlands), vejo continuamente vídeos que mantém o espírito e estética de estranheza experimental do surrealismo.
Leituras da Semana (#113 // Mai 04 2026): Ainda em rescaldo de ter tido o blog nomeado para os prémios da ESFS, um agradecimento ao João Campos pelo elogio, e uma pequena correção: aos vinte anos ainda não se tem juízo. Aliás, começo a pensar que nem aos cinquenta. Quanto à nomeação, sinceramente continuo sem lhe dar uma tremenda importância. Não por a achar pouco importante, bem pelo contrário (é uma honra, sei isso muito bem), mas, lá está: os neurodivergentes vêm o mundo de outras formas. Por isso, se acharem estranho não estar a celebrar alegria aos cinco ventos, não é por desvalorizar a nomeação, ou não me sentir feliz com ela. É mesmo porque a minha forma de reagir é vastamente diferente da dos neuronormativos.
Um Olhar Sobre a Comic Con 2026: Confesso, bastou-me ir à Comic Con uma vez, na sua segunda edição, para perceber isto: "a Comic Con Portugal se apresenta como um grande espelho do nosso tempo: um tempo guiado pela superficialidade, pelo ruído constante e pela ilusão de que quantidade é sinónimo de qualidade. O evento vende‑se como celebração da cultura pop, sim, mas rapidamente se percebe que essa “cultura” é reduzida a um conjunto de estímulos rápidos, fotografáveis e esquecíveis. De facto, tudo é pensado para o impacto imediato, para a partilha nas redes sociais, para a validação instantânea e raramente para a reflexão, para o aprofundamento ou para o respeito pelas raízes do que ali deveria ser celebrado: a banda desenhada". Análise inesperadamente certeira e contundente do Vinhetas sobre o vazio conceptual de um evento que vê a cultura pop e os seus fãs como gado para ser ordenhado.
Franco Storchi: Opera espacial.
The era of AI malaise: Uma boa síntese para aquela falta de pachorra que já se começa a sentir quando se ouve falar de IA. Sabem do que falo, daqueles cansativos discursos de como a IA é a nova revolução industrial e de como vamos todos ficar desempregados, porque a IA é capaz de fazer tudo. E na realidade, vemos que as ferramentas de IA são de facto brilhantes nalgumas áreas específicas, mas a realidade anda muito longe do hype dos deslumbrados, com estes discursos reveladores de falta de cultura, e, enfim, falta de noção do que é a complexidade das relações humanas e do mundo em que vivemos
Introducing talkie: a 13B vintage language model from 1930: Ok, podemos dizer que retro-IA é uma cena
How are subsea cables repaired?: Um mergulho profundo (piada não intencional) na infraestrutura dos cabos submarinos, e nos métodos para a sua manutenção.
A K-Pop Teaser Allegedly AI-Cloned Their Gobelins Student Film: ‘Niccolò’ Co-Director Speaks Out: Na era da IA, a linha que separa inspiração de imitação é cada vez mais ténue. Mas é este o caminho, usar os meios legais para punir o plágio.
My AI Matchmaker Let Me Down: Quando queremos quantificar algo tão complexo e fluído como as relações humanas para serem geridas por algoritmos, os resultados são sempre deprimentes.
Meta Axes Contractors Who Had to Review Explicit Video From Smart Glasses: Para a Meta, o problema não é a óbvia invasão de privacidade que os seus produtos permitem. É haver quem se atreva a falar disso.
Los viejos chips nunca mueren: las empresas que fabricaban chips "aburridos" están montándose en el dólar: Chips baratos, que se compram ao quilo (não é piada) e de usos muito restritos, mas omnipresentes e essenciais para a eletrônica do dia a dia
So, About That AI Bubble: Aqui, dou a mão à palmatória. O uso de llms para programação é de facto útil, e pode estar aqui o verdadeiro sentido para a adoção da IA. Mesmo no seu sentido mais generalista, como percebo quando em formação mostro a professores que nunca sonhariam em programar uma linha de código que conseguem, com ajuda da IA, criar recursos pedagógicos personalizados e adaptados às suas realidades, e os vejo entusiasmados com isso.
New report tracks Russia’s growing combat ground robot fleet: A inovação na robótica militar não vem só do lado ucraniano.
Las dos caras emocionales de la IA: en EEUU lanzan cócteles molotov a sus creadores, en China los niños bailan con robots: E porque é que isto acontece, perguntam-se? Simples. Por cá, no mundo ocidental, a IA está a ser vendida como uma máquina de plágio, um desenrascador académico, enfiado sem utilidade perceptível em muitos produtos, gerador de slop para as redes sociais. E ainda temos que levar com o brilhozinho nos olhos dos executivos e CEOs que se arrogam de declarar, com baba de apetites a escorrer do canto dos lábios, que a IA chegou para nos desempregar a todos e cumprir, finalmente, o seu sonho húmido de se livrarem dessa massa fedorenta que são os trabalhadores. Ainda se admiram de estarmos a rejeitar a IA e querermos guilhotinar os seus empresários? Por outro lado, o que vejo vindo da China é o oposto. Também há slop, claro, mas vejo novas ideias e uma vontade de experimentar e aplicar, de criar coisas novas. A visão é otimista e cheia de uma energia que nós por cá, enredados na teia tóxica das ideias neoliberais, já há muito perdemos, porque a noção de economia como motor social desfez-se em prol do sacrossanto valor acrescentado para o acionista.
It’s Illegal in China to Lay Someone Off to Replace Them with AI, Court Finds: Digam-me lá outra vez, que é incompreensível que os chineses olham para a IA como algo positivo, enquanto nós a estamos a rejeitar? E, também, que é incompreensível a nossa rejeição da IA?
Impactos da IA no trabalho intelectual e nos serviços públicos: Sim, já sabemos. A adoção de IA está a servir aquele velho sonho do capitalismo mais ganancioso, que é o de se livrar de trabalhadores. E como é que está a correr? Vejamos o exemplo do ministério da educação: "o ministro da Educação Fernando Alexandre anunciou uma redução de 50% nos quadros de pessoal do Ministério, graças à introdução de sistemas de IA para realizar várias tarefas". Como é que isto está a funcionar na realidade? Simplesmente grande parte dos serviços com que lido deixaram de dar resposta atempada às questões.
Beyond Lovable and Mistral: 21 European startups to watch: Indicadores da soberania digital europeia.
Steinar Lund: Mais opera espacial.
A Year of Magical Thinking: A acintosidade social que sentimos no dia a dia, discursos de ódio que proliferam, e agora o regresso da violência política, com tentativas (infelizmente!) malfadadas de atentado ao presidente americano, talvez sejam um indicador que, como sociedade, estamos a ficar fartos do alardear ostentativo de impunidade dos plutocratas, bilionários desavergonhados e políticos que fomentam o ódio. Agem e comportam-se como se estivesse acima de todas as leis, e têm o dinheiro para se safar com isso. Como é possível não nos cansarmos destes destratamentos?
Your Next Dog May Live Longer: É o drama de quem vive com cães. Sabemos que as suas carinhosas vidas são fugazes, e diga-se eu sou daqueles que seria tentado a experimentar este tipo de terapias, se garantisse um prolongamento saudáve vida das minhas companheiras caninas.
Pay-To-Play: Rich People Are Hiring Themselves Orchestras To Conduct: Caros amantes da música clássica, estão a ver aquilo que todos fazemos quando nos entusiasmamos a ouvir uma das nossas sinfonias favoritas? Aquele gesticular sem sentido com se estivéssemos no papel de maestros? Pois, se forem muito ricos, podem fazer o mesmo, mas com uma orquestra a sério e não com o gira discos/leitor de cds/leitor de mp3/stream de música.
Am…am I “alternatively influential” ?...: Confesso que… isto faz-me sentido. Ando há anos nas redes e blogs a mostrar o que faço. Não posso dizer que tenha tido um estrondoso sucesso, mas tenho tido boas surpresas, convites para dar formação, falar em eventos, e até o desafio de criar pequenos livros sobre robótica. É curioso, porque o que vou publicando não se enche de likes e partilhas. Mas de volta e meia, especialmente em contextos informais, há pessoas que me dizem, "sabes, o que tu publicas inspira-me, e vou experimentar com os meus alunos". Ou em eventos de mostra de projetos ser abordado por pessoas que nem conheço, que me querem cumprimentar e falar do que se faz porque viram nas redes alguma coisa minha. A melhor história que tenho destas é, em plena Maker Faire Lisbon, ter um colega de informática a falar comigo, a partilhar o gosto pelo 3D, e a dizer-me "olhe, sabe, já conhece o blog do Artur Coelho, está cheio de ideias e tutoriais para estas coisas". E eu, olho para ele e aponto para o badge que tinha ao pescoço. Imaginem a barrigada de riso. Não sou de todo influencer, nem o pretendo ser, mas é caloroso saber que deixamos uma pequena marca positiva no mundo, especialmente num tempo em que a internet se tornou um espaço tão tóxico.
El caballo de Troya del catolicismo en España no es el islam: son 35.000 personas en una misa evangélica en el Metropolitano: E por cá, tal como lá. Refilamos contra a ameaça islâmica, quando na verdade a pior ameaça que temos ao nosso sistema democrático é o alastrar dos evangélicos - ultra-conservadores, anti-ciência, e em grande parte liderados por padres vigaristas que vivem vidas de luxo à custa dos dízimos dos fieis. Apesar deste tipo de iniciativa, são discretos mas vão erodindo o tecido social, e são notórios no apoio que dão à extrema direita. E note-se que já estão a chegar às escolas, exigindo que os alunos tenham EMR evangélica. O cancro do retrocesso já está instalado entre nós, e ao contrário do que os direitolos neo-fachos gostam de berrar, este cancro não usa burka.
A espera e as leituras: Temos ainda muito que evoluir na forma como encaramos a dignidade no inevitável final da vida.
Germany as Europe's leading military power: Não nos é confortável, dada a memória histórica do século XX, mas é inevitável e essencial à estabilidade europeia.
King Charles Takedown Of Trump Was A MASTERCLASS: How Charles III Quietly Filleted Donald Trump in His Own House: Não é muito difícil criticar o boomer bilionário que nos está a infestar a vida. Fazê-lo com esta elegância, não é para todos.