Jean Giraud - Mœbius illustrates Dante’s Paradiso (1999): Paraísos artificiais.
«17776» es una encantadora novela interactiva para leer desde el navegador web: Novas formas de leitura na era digital.
Fim de semana: Faço minhas as palavras do João (embora não nos tenhamos cruzado neste fim de semana específico, tive pena de não nos termos encontrado no sábado). Apesar dos programas, a principal razão para ir a eventos como o Festival Contacto é mesmo o cruzar-nos com aquela gente com quem nos sentimos bem a trocar ideias e conversas, e passamos mais tempo em conversas do que realmente a frequentar as atividades e painéis. Digo isto, apesar de ter estado a ver um painel interessantíssimo sobre literatura fantástica espanhola, que me deixou cheio de referências para assaltar livrarias da próxima vez que passar a fronteira. Foi antecedido de um banalíssimo painel sobre terror, com discussão de lugares comuns e sem grande interesse - sem grande surpresa, moderado e com forte presença de pessoal ligado ao projeto Fábrica do Terror, que se por um lado faz um trabalho interessante na promoção desta vertente da literatura fantástica, assume sempre posturas de uma tão elevada presunção que me fazem perder a paciência com os seus discursos. Especialmente se contrastar com o trabalho discreto mas eficaz de pessoal como o editor da Divergência, ou a organização Imaginauta, que se tem pautado pela insistência em trabalhar para a comunidade. É de notar que este painel onde se discutiu uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma teve casa cheia, e o seguinte, a mergulhar a fundo na literatura do lado de lá da fronteira, contou com umas sete pessoas, contando com a oradora e a moderadora, o que me deixa algo atemorizado sobre a vontade de um grande sector de fãs da cultura fantástica em ir mais a fundo do que as conversas superficiais. Irritações à parte, o Contacto tinha um programa interessante e muito recheado, entre painéis, atividades paralelas, feiras de arte e do livro (e aí, a minha carteira levou pancada). Saí de lá sem saber que diacho de coisa é essa que é o mundo cosmere. Deitei um olhar, percebi que era algo entre fantasia ou romantasy, dois géneros que não são apelativos ao meu coração de hard SF, apreciei os adereços e segui. Pode não ser a minha cena, mas nunca deixarei de admirar fãs que adoram celebrar o que os fascina. Dei por falta de um espaço dedicado a Harry Potter, talvez significando que o potterheadismo como fandom está a entrar em fase descendente. É normal, quem acompanha estes eventos ao longo de anos percebe que há gostos avassaladores que eventualmente se esfumam, faz parte da evolução das culturas de género. E, para enorme surpresa minha, estive numa sala dedicada ao cyberpunk, decorada a rigor, provavelmente foi o primeiro momento em que o pessoal ligado ao Contacto criou um espaço dedicado à FC pura. Só um esclarecimento, caso achem o meu tom agressivo - admiro e adoro o trabalho da Imaginauta e grupos similares, e tentarei sempre estar presente para os apoiar nestas iniciativas. Para o ano, conto voltar a visitar o Contacto, lutando contra o meu preconceito para com a zona pesada de Chelas, digo, bairro de Marvila em cuja biblioteca acontece. Para comprar livros, trocar dedos de conversa com a malta de sempre, revirar os olhos com a pomposidade da fábrica do terror, e sorrir ao ver que apesar da cultura do género fantástico ser uma minoria, é de facto uma imensa minoria, cheia de sangue novo, que se atreve a fazer coisas, a criar, a homenagear as suas vertentes favoritas, a escrever e a ilustrar, a falar das leituras e séries, a mostrar-se em elaborados cosplays. É uma ruidosa e abrangente casa intelectual e cultural.
William Shatner Tackles Star Trek/Starfleet Academy Hate: "Get a Life": E isto, meus caros, resume bem aquelas disputas acaloradas, especialmente online, onde os trolls proliferam e a gritaria impera.
The Flying Tigers: Clássicos aéreos.
Big Dreams and Other Challenges: The World Wide Web: A história da internet, revista através de instalações artísticas do Ars Eletronica.
USE IT OR LOSE IT: Sim, tudo muito certo e lógico, mas o que a minha experiência de vida me ensinou é que a larga maioria das pessoas não está para se chatear e muito menos fazer esforços intelectuais, e fica muito feliz em delegar quaisquer cargas cognitivas em ferramentas externas.
Why Microsoft’s war on Windows’ Control Panel is taking so long: Diga-se que é uma guerra que não faz nenhum sentido, a menos que o objetivo seja ofuscar ao máximo a gestão profunda do computador e manter tudo da forma que dá mais jeito à microslop para nos sacar os dados de uso. E sim, é esse o objetivo, fazer com que a esmagadora maioria dos utilizadores não perceba que pode gerir, monitorizar e controlar o cerne do seu sistema.
El CEO de Mistral manda un mensaje a Europa: se acabó ser el vasallo tecnológico de Estados Unidos: Sim, concordo e subscrevo, mas o desafio é monumental. O desleixo da dependência de sistemas e soluções americanas, que sempre nos foi imposto em nome da liberdade dos mercados, implica que não tenhamos empresas e sistemas que consigam substituir, à escala europeia, serviços centrais como os prestados pela google ou Microsoft. Há alternativas, fragmentadas, e temos de desenvolver o trabalho de as escalar, fazer crescer. Não chega dizer que queremos apostar em soberania digital e depois apontar um conjunto de serviços que estão muito aquém do que as grandes empresas do digital nos habituaram. E isso é trabalho institucional, prestar o apoio necessário para que os prestadores europeus consigam ganhar escala e com isso tornarem-se alternativa credível à google e similares. A Mistral é um bom exemplo disso, não está ao nível de uma OpenAI, Google ou Anthropic, mas lá chegará, com o investimento certo.
Is Schoolwork Optional Now?: Confesso que não vejo estas discussões sob o tom catastrofista de fim das aprendizagens e derrocada do sistema educativo. O haver ferramentas que permitam aos alunos entregar todos os trabalhos de uma disciplina de forma tão automática que nem sequer acederam diretamente aos seus conteúdos, bem como professores a automatizar um trabalho de avaliação que é já em grande medida mecânico, não significa uma catástrofe cultural. Mostra apenas a incoerência central dos nossos sistemas de ensino. São culturalmente apresentados como acesso ao saber e conhecimento que capacita e permite o desenvolvimento das pessoas (e, de facto, é-o). Mas socialmente, a mensagem que passa é que o sistema é uma obrigação certificadora, que não interessa tanto o que se aprende, como o resultado - passar no exame (e logo a seguir esquecer o que se estudou), ter o canudo, obter o certificado. Sejamos honestos: o medo de ter alunos que obtenham certificações finais de cursos tendo adquirido zero conhecimentos porque a IA fez tudo por eles, esquece que isto sempre foi assim. Todos nós, que sobrevivemos aos vários graus de sistema de ensino tivemos colegas que desenvolveram o mínimo de esforço possível, porque o que realmente queriam era a certificação e não a sabedoria. Diria até que é uma larga maioria, e destes, alguns recorriam a fraude para se safar, desde as elementares cábulas aos trabalhos encomendados a terceiros. Não me perguntem como reverter isto, não creio sequer que haja solução, faz parte dos profundos defeitos da natureza humana. Mas sei como mitigar, em sala de aula. A aplicabilidade prática do que se está a aprender, ou, colocando em termos que qualquer educador percebe, o trabalho de projeto, quebra este padrão, pela simples razão que quem não sabe porque usou a IA para aceder aos conteúdos, não consegue, sequer, fazer. E refira-se, também, que se o aprender se limita a olhar para textos e vídeos nos ecrãs para depois se ter um certificadozito, não estamos realmente a aprender nada.
France to Ditch Microsoft Windows as Europe’s War on American Tech Rages On: O interessante no plano francês é perceber que estas coisas não se fazem do dia para a noite, têm de ser graduais. Começam por serviços onde a segurança é essencial, e planeiam alastrar ao resto da administração pública.
¿Quién puede más, Google o siete pequeñas empresas holandesas juntas? Europa está a las puertas de descubrirlo: Os desafio de apostar na soberania digital europeia são enormes, e algo que não se resolve com declarações de intenções ou marketing mal amanhado.
Mutually Automated Destruction: The Escalating Global A.I. Arms Race: A escalada de letalidade dos drones e robots de combate, com um desenvolvimento acelerado e investimento em progressivos graus de autonomia letal.
Afinal, o teu telemóvel ouve o que dizes? Especialistas revelam o segredo dos anúncios direcionados: Não, o telemóvel não anda a gravar o que dizemos. A verdade é mais complexa e elegante, a surpreendente capacidade de as aplicações nos mostrarem anúncios arrepiantemente próximos daquilo que andamos a discutir constrói-se com um minucioso trabalho de análise algorítmica dos padrões de uso feita através da nossa pegada digital - a miríade de pesquisas, conteúdos visualizados, tempo que passamos a ver determinados conteúdos, reações e localização geográfica. É complexo, discreto, e não muito fácil de compreender, o que ajuda a explicar a prevalência do mito de "o telemóvel anda a gravar o que ouve".
The Strange Origin of AI’s ‘Reasoning’ Abilities: Esta é intrigante, não me atreveria a imaginar que algumas propriedades emergentes que vieram a determinar a IA contemporânea foram inicialmente descobertas por 4chaners a brincar com versões do antigo GPT3. Notem que malta do 4Chan a brincar não é coisa leve.
Mientras Europa y EEUU se rascan la cabeza, China tiene muy claro que el futuro de su educación pasa por la IA: Habituar, usar e refletir desde tenra idade, com o risco de modelos de ensino baseados em treino via IA.
Meta warned by dozens of organizations that facial recognition on its smart glasses would empower predators: E assim vemos uma tecnologia com imenso potencial benéfico a diluir-se, por estar a ser implementada sem as mais básicas salvaguardas contra comportamentos predatórios por parte de quem a utiliza, bem como das empresas que a comercializam.
What can history tell us about AI?: Compreender o presente implica sempre olhar para o passado.
How our digital devices are putting our right to privacy at risk: De tantas maneiras que elencá-las seria um trabalho demasiado exaustivo.
The Greatest Heist In The History Of Art: Apesar de não achar que a situação seja tão catastrófica quanto isso, que a arte humana continuará a ser valorizada e que a IA é apenas mais uma ferramenta ao serviço da imaginação humana, percebo o ponto de vista da Molly Crabapple. Porque nalguns setores das indústrias criativas, a geração a metro de lixo generativo é o concretizar dos sonhos húmidos de editores sem escrúpulos, que se estão nas tintas para a qualidade, e sempre estiveram, a diferença é que agora não precisam de pagar a ilustradores ou escritores para produzir enchimento de chouriços para empastelar e entupir a economia digital da atenção. Convém também observar o extremo desprezo que as grandes empresas da IA demonstram por quaisquer direitos de autor que não os seus, não hesitando em abusar do bem comum e usar imagens sem quaisquer retorno aos seus criadores para treino dos modelos.
China’s Parallel Web Behind the Wall: Um vislumbre do ecossistema digital chinês, por um lado vibrante e avançado, por outro um espaço isolado do mundo onde impera a censura.
Rusia ya no se está rindiendo ante soldados de Ucrania, sino ante máquinas: las reglas de la guerra se están redefiniendo: Até muito recentemente, esta era uma daquelas ideias da mais pura ficção científica.
Michael Carroll, 1990: Felicidade computacional.
TECNAM P-MENTOR: O Chipmunk já tem substituto: Parece incrível, mas a nossa força aérea mantém a voar um venerável avião com mais de setenta anos de serviço. Vai, finalmente, ser substituído.
The Trump Regime Really Wants You to Know About Its Cool Secret Agent Gadgets: Sinceramente? Tresandam tanto a treta que só podem ser treta. A sério que esperam que se acredite em "tecnologia quântica capaz de detetar batimentos cardíacos específicos"? O que assusta é ver alguns comentadores que até costumam ser incisivos e bem informados a cair nestas balelas.
Student Dies When Hospital Has No ICU Doctors, Calls One on Videochat Who Pronounces Him Dead Remotely, Lawsuit Claims: E isto, é o sonho molhado do governo do Luís "deixem-me trabalhar (para os casinos") e da sua ministra da saúde especializada em mortes evitáveis de utentes do SNS. Imaginem um hospital com urgências virtuais, com a telemedicina a substituir médicos para análise de casos críticos. Obviamente, correu mal e causou mortes, mas hey, que são as vidas de uns doentezitos perante a inovação (e o lucro) da medicina privada?
America Looks Like a Paper Tiger: Bem, quando a máquina militar mais poderosa do planeta gasta milhões de dólares em ataques sem conseguir derrubar um inimigo mais fraco, mas também muito inteligente e determinado, isso mostra a real extensão das suas capacidades.
The Iran War Showed a New Side of Pope Leo: Naturalmente. Porque é impossível ficar indiferente à estupidez, cupidez e violência pura em que Trump e os seus sequazes e apoiantes se rebolam.
Adamastor Furia inicia testes em estrada: Confesso a minha curiosidade com este intrigante projeto industrial português, de nicho, é certo, mas que demonstra uma excelente capacidade nos domínios da engenharia automóvel. Recorda que as linhas de fabricação das marcas europeias que cá se instalaram permitiram um crescer de know-how e capacidade industrial ao nível de componentes. Nunca teremos a dimensão necessária para conceber e produzir veículos generalistas, mas faz sentido existirem estes fabricantes de nicho.
Paranoia In Perspective: Welcome To The “Dark” Enlightenment: Se os nomes e a filosofia de luminárias obscuras como Nick Land ou Curtis Yarvin vos são desconhecidos, as consequências devastadoras das suas ideias é algo que já sentiram na pele. Bem vindos ao iluminismo negro, um movimento intelectual adorado pelos techbros, cryptobros, AIbros e CEObros, que advoga o iliberalismo, a tecnocracia extrema, e a reversão de direitos sociais e humanos.
Pluralistic: Austerity creates fascism (13 Apr 2026): Como sempre, Doctorow imensamente certeiro.
Why Japan replaces US-made Apache attack helicopters with drones for strike and surveillance?: Provavelmente porque estão a prestar atenção ao que se passa na frente ucraniana, também conhecida como cemitério de helicópteros.
Amazon Accused of Hiding Worker’s Death for a Week, Making Employees Keep Working as Corpse Lay on Floor: Quão desumanizante pode ser uma cultura laboral?