terça-feira, 26 de maio de 2026

A Revolução dos Computadores

Nigel Hawkes (1973). A Revolução dos Computadores. Lisboa: Verbo. 

Podemos aprender alguma coisa lendo um livro, generalista, sobre computação escrito nos anos 70? Dada a rápida evolução da tecnologia, o que este livro contém ainda é válido? Claro que sim, a menos que sejam daqueles que só conseguem compreender o lado meramente técnico da tecnologia, e imunes às suas vertentes sociais e culturais.

Claro que, como livro que nos chega, literalmente, de uma outra era, nos fala de tecnologias de computação que estavam nos seus primórdios. Há campos onde o livro nem toca, como o da computação pessoal - naturalmente, nesses tempos creio que se estavam a começar a dar os primeiros passos no que se veio a mostrar a grande democratização da computação. Há uma outra falha que a história explica: o livro aponta o eniac americano como o primeiro computador, parecendo esquecer todo o trabalho de Alan Turing com o Colossus em Bletchley Park. Não é falha, parece-me, é bom recordar que no pós-guerra o desenvolvimento desta tecnologia pelos britânicos foi mantido num segredo que durou até ao final do século XX. Suspeito que no tempo em que o autor fez a investigação de base para este livro, todo o salto computacional dado no Reino Unido durante a II Guerra estivesse ainda sob classificação secreta.

É nas visões do que a computação poderia fazer que se encontra o melhor do livro. Aliás, nestes aspetos, bastaria trocar "computador" por "inteligência artificial" para fazer parecer que o livro foi escrito nos dias de hoje. Está lá o essencial das questões que hoje nos afligem - o potencial produtivo, os riscos de hipervigilância, o medo dos desempregos, os riscos do mau uso ou da apropriação destas tecnologias por elites. 

O livro ainda consegue fazer referência ao potencial criativo da computação, inspirado na lendária exposição Cybernetic Serendipity, falando do que à época eram experiências de vanguarda na música eletrónica, desenho e arte computacional.