terça-feira, 28 de abril de 2026

For We Are Many

Dennis Taylor (2017). For We Are Many. Worldbuilders Press.

Não diria que isto é literatura de ficção científica elegante, ou profunda. Muito pelo contrário, é superficial apesar da inteligência de alguns dos seus conceitos. É uma daquelas histórias que se lê pelo puro prazer de acompanhar o enredo e ver por onde vão as aventuras dos personagens. Não há nada de errado com isto, apesar de não ser nenhum portento literário a série Bobiverse cativou-me, com o seu otimismo inabalável, bom humor e sentido desprendido de aventura, numa space opera de leitura imparável. Talvez a melhor comparação que possa fazer, e não é colocada em modo de insulto, é que esta leitura me dá o prazer similar ao de jogar um jogo de computador.

O segundo volume da série é a continuação pura do primeiro. Os Bobs vão-se espalhando pela galáxia, graças a alguns deles a humanidade à beira da extinção começa a ser exilada para planetas capazes de sustentar vida, novas civilizações alienígenas são encontradas. Os Bob, recordo, são uma espécie de sondas Von Neumann inteligentes, capazes de se auto-replicarem e fabricarem os recursos suficientes para enviar novas sondas, ou colonizar planetas, controladas pela personalidade digitalmente replicada do Bob original, um criador informático do século XX cuja personalidade foi digitalizada a partir do seu cérebro criopreservado após um acidente.

Surge também uma nova ameaça, uma civilização alienígena-enxame, apostada em consumir todos os recursos planetários que encontrar para construir uma esfera de Dyson. Será guerra aberta, existencial para os Bob, os sobreviventes da Terra, e as outras espécies que vão sendo encontradas na expansão galáctica das sucessivas réplicas de Bobs. Neste volume, o tom é negativo, os primeiros recontros não auguram nada de bom. Mas tendo em conta o espírito otimista da série, suspeito que o final será feliz.

Isto é space opera clássica, a brincar com conceitos como consciência artificial, nanotecnologia, exploração espacial, fabricação digital, mas também xenobiologia e culturas alienígenas.  Uma leitura sólida e divertida.