terça-feira, 2 de março de 2021

Comics: Inhumain; We Have Ignition; La ville qui ne dort jamais

 


Denis Bajram, Valérie Mangin, Thibaud de Rochebrune (2020). Inhumain. Charleroi: Dupuis.

Quando os tripulantes de uma nave de exploração são atraídos a um planeta oceânico e se despenham, deparam-se com um mundo misterioso. Salvos por medusas alienígenas, descobrem que a única terra no meio do vasto oceano é habitada por humanos, decaídos a um estado selvagem. Quanto mais investigam o misterioso ecossistema, mais se apercebem dos seus mistérios - uma ilha habitada em vários níveis, com os habitantes de cada nível obcecados por cumprir as suas tarefas. Com se fossem elementos de uma vasta e incompreensível máquina. Que, de facto, são. Os humanos autóctones são os descendentes de uma nave geracional capturada pelo planeta, uma consciência distribuída pelos seres vivos locais e que, sendo capaz de telepatia, acabou por assimilar os humanos no seu ecossistema. Tem razões para isso, o primeiro contacto com a humanidade traduziu-se em violência. Enquanto assimila o novo grupo de humanos, depara-se com um obstáculo, um andróide que lhe mostra que poderá haver um outro caminho, uma forma de equilíbrio entre duas espécies conscientes. Ficção científica da boa, com um worldbuilding interessante que se faz progressivamente, e uma excelente premissa.

Kurt Busiek, Stuart Immomen (2010). Shockrockets: We Have Ignition. San Diego: IDW.

Ler isto é regressar a um revivalismo clássico, de séries retrofuturistas onde jovens pilotos lutam contra ameaças planetárias. A referência aos Thunderbirds é óbvia, e ainda mistura alguns elementos como invasões alienígenas e organizações terroristas globais, neste livro liderado por um general de  nome Korda. Um apelido que penso sempre ser usado como homenagem aos produtores de Things to Come, o filme clássico baseado na obra homónima de H.G. Wells. Seguimos as aventuras de um jovem piloto, acidentalmente caído na organização de defensores da Terra que usa aeronaves de uma tecnologia avançada, capazes de se mesclar com a mente dos que as pilotam. A história é previsível, aventuras misturadas com intrigas, e o clássico conto do jovem com talento que tem dificuldades em ser reconhecido como elemento de um grupo coeso, até provar, pelas suas ações, o seu valor. É uma leitura divertida, e vale pelo grafismo explosivo, cheio de cor e vivacidade.

Stéphane Betbeder, Djief (2021). La ville qui ne dort jamais. Charleroi: Dupuis.

Se é sempre interessante ler histórias em cidades pós-apocalípticas, especialmente se forem Nova Iorque, a estética não se sobrepõe à narrativa. E aqui, apesar da premissa, este livro não cativa. Num mundo em ruínas, com os humanos transformados em criaturas animalescas sob controle de uma entidade lovecraftiana, só restam alguns jovens que tentam sobreviver. Visualmente interessante, mas pouco cativante.