domingo, 16 de dezembro de 2018

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DRB Visual Caffeine #8: Ja se passou algum tempo deste que o Dark Roasted Blend nos mimou com bombardeamentos de imagens interessantes. Ignorem as pinturas foleiras de fadas por russos de gosto duvidoso, e atrevam-se a mergulhar no eye candy puro.

Lost Art: when works disappear into private collections: Ou, como a especulação financeira no mercado artístico significa que boa parte do património cultural fica encerrado em cofres ou armazéns.


Was Detective Comics Before Batman Cancelled Over Racial Concerns?: Confesso que não tenho muita paciência para este tipo de atitudes censórias. Sim, sabemos que nos comics antigos abundavam representações xenófobas e racistas. Optar por formas de esquecimento desse passado negro, é um branquear que não respeita a evolução temática, estética e ética do género. Isto é tão absurdo como Hergé redesenhar vinhetas de Tintin para esconder o terem sido criadas num tempo em que ser racista era o normal.

COMPUTADORES PROIBIDOS: Espera, estou a partilhar um artigo desse imenso tédio que é a blogosfera educativa nacional (a maior parte dos artigos são resmungos sobre o triste estado dos alunos, da educação, enfim, aquele tipo de conversa de sala de professores que me faz fugir a sete pés desse antro)? Há uma boa razão para isso, e surpreende-me ter vindo de um professor. Normalmente, quando se fala de telemóveis e crianças, estes são os mais vocais defensores do isto devia ser proibido, quiçá exterminado. É raro encontrar opiniões sóbrias, que subscrevo e até são similares às bases do trabalho que desenvolvo na escola, como esta: "O computador/tablet na sala de aula é mais uma ferramenta, não é A ferramenta, não substitui a escrita manual, não substitui a aprendizagem do cálculo, não substitui coisa nenhuma, é “apenas” mais um meio, muito potente sem dúvida, ao dispor de alunos e professores para ensinar e aprender e agilizar o acesso a informação. Nesta perspectiva, tenho alguma dificuldade em perceber a razão pela qual antes dos 13 ou catorze anos as crianças e adolescentes não devem ter acesso a computadores ou a outros dispositivos". Pois. Simples, não é? Mas prefere-se diabolizar, demonizar e fingir que a escola vive num século passado, não contaminada pelos males da tecnologia.

Lockheed Martin is building quiet supersonic jet for NASA: Já me tinha apercebido disto nas redes sociais, mas não lhe tinha dado muita atenção. Até fiquei confuso, geralmente estes protótipos são vaporware de empresas aeronáuticas, e ler de raspão algo sobre a lendária divisão Skunkworks da Lockheed pareceu bizarro. Mas confirma-se, e o objetivo deste protótipo é o de estudar o voo supersónico com baixos níveis de ruído.

The Fax Is Not Yet Obsolete: Parece surpreendente, mas há muitas situações onde mandar um fax não é sinónimo de malandrice. Na verdade, surpreende pouco. Há tecnologias antigas, aparentemente obsoletas que encontram nichos de utilização.

The Camden Bench: Arquitectura urbana enquanto arma de combate político e ideológico, utilizando pequenos elementos que dificultam ou impossibilitam alguns usos. Mobiliário urbano redesenhado para ser desconfortável e hostil, desencorajando o seu uso. Neste caso, o objetivo foi criar um banco que fosse impossível de ser utilizado como cama pelos sem abrigo. E assim se resolve o problema estético de ter maltrapilhos a dormir nas ruas. Continua a haver sem abrigos, mas longe da vista, problema não existente. Não pensem que é só por Londres que isto acontece. Nunca se perguntaram porque é que os bancos que estão nas estações de metro em Lisboa são tão desconfortáveis e pouco práticos?

Here's Why Tires Are Black: Coisas que aposto que não sabiam, mas agora que sabem... bem, pelo menos ficaram a saber mais uma coisa. Se o preto não é a cor natural da borracha, porque é que os pneus são dessa cor? A borracha tem de levar aditivos para garantir melhor aderência ao piso, e por alturas da I Guerra, a escassez de alguns materiais fez a indústria adotar o pigmento negro carbono para juntar à borracha. Um pigmento que para além de melhorar a aderência do pneu, aumenta a durabilidade da borracha exposta aos elementos.


Very fine Leda and swan fresco found in Pompeii: Do extraordinário. Escavações em Pompeia têm revelado um incrível acervo de pintura romana, em frescos preservados pelas cinzas. Esta Leda e o Cisne (pista: é um mito greco-romano muito bolinha vermelha) é absolutamente notável, uma espantosa técnica de pintura que, se não pela catástrofe vulcânica, se tinha perdido para sempre.

11 moments from the International Space Station’s first 20 years: A ISS faz 20 anos, e a Techcrunch recorda-nos onze momentos marcantes da história da estação espacial. Não sabia que o módulo japonês era tão grande.

A TEENAGE GIRL IN SOUTH SUDAN WAS AUCTIONED OFF ON FACEBOOK: Não vou arrancar numa diatribe anti-redes sociais. Esta história é arrepiante, mostra como persiste o pior da humanidade, e é o espelho perverso daquilo em que, para muitos (eu incluído), o facebook tem sido extraordinário: como veículo capaz de nos fazer sair de anonimatos e chegar ao público. Esta notícia mostra, de forma cruel, como essa valência pode ser pervertida. As redes sociais têm e levantam muitos problemas, em parte pela forma como estão concebidas e nas estratégias de captura de atenção. Mas os seus utilizadores também não são inocentes. No fundo, talvez o que nos choque nas redes sociais é vermos a humanidade lá espelhada, e o retrato não nos favorece.


*The Birth of Modern Oligarchy: Qualquer que seja a nossa posição ideológica, isto deveria ser inadmissível. O desfasamento entre produtividade e ganhos indica que a distribuição de rendimentos na economia tem profundas desigualdades. É o triunfo do neoliberalismo, a ideologia dos salteadores de estrada engravatados e respeitáveis. Os que defendem o mérito e desregulação, essencialmente raposas que tomaram conta do galinheiro. Uma minoria ganha, a níveis astronómicos, e todos nós perdemos. Rendimento, qualidade de vida, perspetivas de futuro, liberdade. A própria democracia está em risco por causa destas desigualdades (lamento, mas o que alimenta verdadeiramente o populismo não são os ruidosos trolls de direita ou os criptofascistas saídos do armário, é mesmo a desilusão com o sentimento de empobrecimento generalizado) (e dar força a estas criaturas ainda piora as coisas).


Earth Visitor’s Passport: ‘Tour of the Universe’, 1980: Nada como o WATM para encontrar pérolas destas (escrevi isto sem ironia). As ilustrações deste livro esquecido de ilustração de FC, um produto híbrido que mistura narrativa e ilustração, para além de serem espantosas representam bem o trabalho dos mais influentes artistas visuais a trabalhar no género entre os anos 70 e 80. Livro a manter no radar, talvez tenha sorte nalgum alfarrabista dedicado a livros em inglês.

Cinco anos depois: Pedro Cleto analisa a sequência finalizada de Living Will, a série de André Oliveira e Joana Afosno.

55: Whovianos percebem. Recentemente celebrámos o TARDIS Day, recordando que a série Doctor Who já tem mais de cinquenta anos de história. Just make it  good one, eh?

Tudo isto existe – João Ventura: E eu, assino por baixo. Uma coisa é achar deliciosa a ficção curta de João Ventura quando a leio, isolada. Outra, é uma antologia que mostra a coerência e constante afinação na sua discreta obra.


This Artist's Movie Poster Concepts Will Blow Your Mind: Um bocadinho surpreendente, abrir o iO9 e dar com um destaque ao trabalho do ilustrador português Luís Melo. Ainda por cima, com o cartaz para o Fórum Fantástico 2018.

Looking Busy: O Bullshit Jobs  de David Graeber, analisado. A sublinhar a facilidade com que aceitamos que o que nos define como pessoa é o nosso trabalho. Mesmo que este seja perfeitamente assassino de neurónios.

Simulacros do Deepfake: As técnicas de criação de imagens falsas utilizando Inteligência Artificial e o futuro dos audiovisuais.

Learning to Love Robots: É inelutável. A robótica veio para ficar, e resta analisar a forma como nos relacionamos com máquinas que, mesmo sabendo que são mecanismos, atribuímos sempre alguma dimensão do ser.

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