quarta-feira, 5 de julho de 2017

Flash Gordon



Alex Raymond (2004). Os clássicos da banda desenhada #20: Flash Gordon. Lisboa: Correio da Manhã/Panini.

Flash Gordon é indissociável de Alex Raymond. Outros pegaram no personagem, dando-lhe uma continuidade que ainda hoje evolui. Correntemente a série pertence à Dynamite, que vai lançado séries de qualidade intermédia, e a interessante Flash Gordon Zeitgeist. Personagem clássica da banda desenhada, Flash Gordon marcou gerações de leitores. Apesar de ter tido ilustradores excelentes, como o lendário Al Williamson, que também deixou uma marca influente na série, é o seu criador que estabeleceu a iconografia mais marcante. O estilo futurista de Raymond era temperado por um forte sentido de exotismo e um traço profundamente neoclássico.

Aos nossos olhos contemporâneos de leitores sofisticados, as histórias lêem-se como simplistas, cheias de peripécias linearmente encadeadas. É o habitual nos comics da altura, e apesar da simplicidade, são leituras interessantes. Raymond era um excelso praticante da vinheta em banda desenhada como ilustração do texto. Não há ainda o uso de uma gramática narrativa de enquadramentos, pontos de vista e sequencialidade visual como ferramentas para contar a história (algo que Will Eisner seria pioneiro). Ficamos pelas palavras que vão contando a história, enquanto o olhar se detém e delícia no traço elegante, evocativo de fantasia, de Raymond.

As aventuras dos inseparáveis Gordon, Dale Arden e Professor Zarkov no exótico mundo alienígena de Mongo, nas lutas eternas contra o malévolo imperador Ming, marcaram gerações de leitores e são hoje uma referência histórica incontornável na banda desenhada. A iconografia estabelecida pelo estilo visual de Alex Raymond é o elemento que conferiu imortalidade a este clássico dos comics.

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