terça-feira, 25 de outubro de 2016

The Courtyard



Alan Moore, Jacen Burrows (2008). The Courtyard. Rantoul: Avatar Press.

Uma das primeiras aventuras de Moore nos territórios dos Mythos de Lovecraft. Um investigador especial do FBI une os pontos que relacionam três assassinos, responsáveis por mortes tétricas mas sem aparente relação entre eles. Há um elemento comum, que o agente irá encontrar no bairro nova-iorquino de Red Hook. Lá, encontra-se o Club Zothique, ponto de encontro das vanguardas musicais lideradas pelos Ulthar Cats, cuja voz da vocalista Randolph Carter é inesquecível na canção as melodias de Zann. É ao som desta banda que irá conhecer Johnny Carcosa, traficante de Aklo, a droga mais poderosa do momento. Em busca de provas que irão deslindar os casos que investiga, decide tomar três doses da droga. Carcosa sussurra-lhe três palavras ao ouvido, em sucessão. Aklo não é uma substância, é uma linguagem vinda dos tempos esquecidos dos Grandes Anciãos, que abre a percepção para exóticas e monstruosas visões de um mundo para lá do desconhecido. O detective descobre-se contaminado pela linguagem, que lhe muda a percepção do mundo e o leva a cometer certos rituais sangrentos, adequados à nova realidade em que vive.

Os elementos barrocos e algo ingénuos do terror lovecraftiano, visto aqui na continuidade que une Lovecraft a Machen, Ashton-Smith e Chambers, são revistos por Moore num registo que lhes retira a linguagem ornamental e se centra na incompreensibilidade escatológica do horror cósmico. Vertente que virá a aprofundar em Neonomicon e Providence, mostrando que ligando as pontas, os Mythos continuam um terror válido para este novo século.

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