sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Caliban's War



James S. A. Corey (2012). Calbian's War. Nova Iorque: Orbit.

Neste segundo livro da série Expanse começa-se a traçar um curioso paralelismo com outra série clássica de FC. Continuar a manter a tónica em conspirações vindas de empresas sedentas de lucro e poder que tentam transformar em arma biologias alienígenas enigmáticas e muito perigosas tem o seu paralelismo com a série Alien. Impressão que se torna mais nítida quando o cerne deste segundo livro da série Expanse se centra no aparecimento de criaturas que cruzam seres humanos com elementos do vírus alienígena com enorme capacidade destrutiva.

De resto, este livro replica o primeiro da série. Holden e os seus fiéis companheiros terão de desvendar outra vasta conspiração levada a cabo por milionários sem escrúpulos enquanto se adensa o mistério do que se passa no planeta Vénus, contaminado com um vírus alienígena que se dedica a construir estruturas misteriosas.

O nível de ambição sobe. Se no primeiro da série seguíamos apenas dois pontos de vista, neste os autores arriscam uma maior multiplicidade. E conseguem-no, cruzando metodicamente as diversas linhas narrativas numa espectacular colisão final. Aviso de spoilers: envolve uma titânica batalha espacial. O tom conspiratório da série assume aqui proporções mais vastas do que as do primeiro livro, com a inclusão dos jogos de poder ao mais alto nível do governo das nações unidas que forma boa parte das aventuras deste romance.

É esta a fórmula da série: conspirações de alto nível com repercussões geoestratégicas desmontadas pelos heróis, com boas doses de space opera ciente dos limites da física e FC militarista directamente inspirada nas narrativas de acção em alto mar, com um artefacto alienígena como mcguffin transversal na série. Este segundo volume dá continuidade ao vasto e sólido mundo ficcional, e mantém elevado o nível de prosa. Mesmo não sendo histórias inesperadas, estão muito bem escritas. Os autores que se uniram no pseudónimo de James Corey sabem manter o ritmo e agarrar o leitor ao longo de centenas de páginas, inserindo os necessários infodumps nos momentos certos, temperado acção capaz de acelerar o ritmo cardíaco com conspirações tão complexas que empalideceriam os bizantinos. E são imbatíveis nas referências clássicas quer à FC quer à história da ciência. Pequenos detalhes, como os tripulantes da nave Rocinante chamarem "Jim" ao seu comandante (tal e qual como no Star Trek original), detalhes obscuros nos nomes das naves espaciais ou no dar à principal cidade lunar o nome de Lovell (sem esclarecer se está centrada na cratera com o mesmo nome). Aliás, quando uma série se centra nas corajosas aventuras de um punhado de aventureiros espaciais que tripula um Rocinante, as credenciais eruditas dos autores estão apresentadas.

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