segunda-feira, 20 de julho de 2015

Comics


Mercury Heat #01: Kieron Gillen assina este título descomplexado e assumidamente simplista, que brinca com os elementos narrativos da FC cyberpunk e hard. Não parece pretender ser mais do que um comic de aventuras com uma heroína marcante, mas sublinha o quanto o espaço da banda desenhada parece ser aquele onde a FC contemporânea mais se consegue afirmar. Se o cinema aposta da FC como espectáculo e a literatura mantém um misto de classicismo com inovação, os comics são campo aberto a todo o tipo de FC, da mais arriscada à mais banal. Com a vantagem de materializar as fabulosas visões da literatura só com recurso ao traço e à cor, sem necessitar dos intensos investimentos requeridos pelo cinema.


Trees #11: Ok, isto é um retrato de Warren Ellis? Sempre suspeitei que ele punha muito de si nalguns dos seus personagens-tipo. Especificamente naqueles que são obcecados pelo que lhes desperta a atenção e reagem com violenta ironia verbal ao contacto com o mundo. Spider Jerusalem, anti-herói de Transmetropolitan, é talvez o exemplo que foi levado até aos limites, mas é um tipo de personagem habitualmente secundária que é recorrente nas histórias do argumentista. Para um seguidor dos feeds de newsletter e Instagram de Ellis, a semelhança física é enorme. E as palavras parecem saídas de uma Orbital Operations ou um Morning Computer.


Silver Surfer #13: Quão psicadélico se consegue ser num banal comic de super-heróis? Creio que desde os tempos de Jim Steranko e Steve Ditko que não havia nenhum comic na Marvel que se apoie tão abertamente numa estética psicadélica. O Surfista Prateado sempre foi algo a puxar ao cósmico, e com o casal Allred na ilustração essa veia foi ressuscitada com estilo.

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