segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Comics


Ei8ght #01: Ok, isto é weird, mesmo para mim. Começa como uma história de FC high tech sobre viagem no tempo. Amnésia profunda é o efeito secundário que afecta os crononautas, que acordam num passado profundo... onde bandos de refugiados do futuro domesticaram dinossauros. Os cruzamentos entre fantasia e FC já não novidade, como se nota pelo sucesso da série Saga, mas há algo de profundamente infantil no cavalgar de tiranossauros. É daquelas coisas que aquece o coração do puto de oito anos que reside dentro de nós.


Ivar, Timewalker #02: Belíssima escolha, a de Fred Van Lente como argumentista desta série derivada de Archer & Armstrong. Van Lente é blá blá blá (não vos maçarei com mais dos meus elogios ao trabalho dele quer nesta série quer em Magnus Robotfighter). Para não perder muito tempo com discussões sobre a viabilidade dos paradoxos temporais Van Lente coloca-se logo no campo doas que assume que o espaço-tempo é fortemente resiliente à interferência de viajantes no tempo. Brinca à descarada com as inúmeras variantes da trope "vamos assassinar Hitler", que passa a designar Godwin's law of timetravel. Preciso de vos explicar a referência à lei de Godwin? Não? Excelente. A história continua delirante. Adorei o pormenor dos homens do ano trinta mil que amalgarão em redes sociais inteligentes de corpo robótico especialistas em vandalizar o espaço-tempo for the lulz. Pessoalmente, como adoro um argumentista culto, saliento esta referência brilhante a um dos filmes menos conhecidos de Woody Allen. De facto, um dispositivo Zelig permite a camuflagem camaleónica perfeita. Para quem não conhece, o filme é sobre um homem medricas e amorfo que desenvolve a capacidade de mimetizar os grupos sociais com que se cruza.


The Multiversity: The Mastermen #01: O delírio do mês de Grant Morrison em Multiversity é levar-nos à Terra paralela em que um certo foguetão vindo do planeta Krypton aterrou na recém conquistada região dos sudetas. Terra onde o Superhomem é realmente um übermensch ao serviço da raça ariana e do ditador que com ajuda deste alienígena plantará a bandeira da cruz gamada em todo o mundo. A série, inventiva e delirante como é habitual apanágio deste argumentista, parece cada vez mais um reboot da DC Comics a personagens esquecidos, testando mercados para novos títulos. Ou isso ou está a fazer jeito à editora para relançar propriedade intelectual esquecida. Homens superiores em planetas nazis é algo com que Morrison até joga de forma muito sisuda, mas repare no fundo desta vinheta. Nos edifícios, a influência de Fritz Lang, cujos tentáculos nunca parecem terminar... afinal, no império germânico, não deveria Metropolis ser como a cidade futura do filme com o mesmo nome?

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