segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Comics


Memetic #03: Belíssimo final para esta série às voltas com o promissor mas raramente utilizado conceito de ataque memético. Sob influência dos memes a humanidade funde-se em grandes pirâmides que sinalizam aos alienígenas que o planeta está a postos para ser invadido. No segundo número da mini-série a história parecia seguir pela mais batida via da horde apocalíptica com a influência dos memes a zombieficar a populaça e o obrigatório grupo de sobreviventes. O final foge aos pressupostos e atreve-se a ser niilista. Não há sobreviventes, e a Terra pertencerá a inexplicáveis alienígenas. Um belíssimo esforço de James Tynion IV, argumentista a manter debaixo de olho.


East of West #16: Hickman tem uma certa propensão para a grandiloquência hierática, como se nota no trabalho que fez em The Avengers Infinity, e neste East of West tem resvalado nesse sentido. O seu weird wild west continua decididamente weird, cada vez mais em toque apocalíptico. Mas confesso que prefiro os seus volteios de ficção científica em Manhattan Projects, actualmente em pausa para refrescar a criatividade.


All New Miracleman Annual #01: A Marvel está-nos a mimar. Não só reedita o clássico Miracleman de Alan Moore (assinalado como the original writer nos comics) como surpreendeu com esta edição de final de ano. Grant Morrison e Pete Milligan assinam novas histórias dos personagens. Novas, mas muito cuidadosas, apostanto mais na iconografia do que numa possível mas indesejada nova continuidade do herói. A contribuição de Morrison é discreta e visualmente bem conseguida com o traço de Joe Quesada, mas Pete Milligan sobrepõe-se. Com Mike Allred a ilustrar, lega-nos uma história que homenageia na perfeição a inocência, simplicidade e carácter ingénuo das estrutuas narrativas dos comics clássicos dos anos 50. Uma das coisas boas que a Marvel está a fazer nesta reedição de Miracleman é contrapor a sofisticação soturna de Moore com a simplicidade infantil do comic original escrito e ilustrado por Mick Anglo. Cada edição traz-nos a reedição da série que marcou a história dos comics acompanhada de algo saído dos anos 50. É uma forma interessante de acompanhar a enorme evolução conceptual das estruturas narrativas da banda desenhada, hoje narrativas complexas que noutros tempos se caracterizavam por uma simplicidade extrema. Nesta edição é esse simplismo o que Milligan coloca em evidência, de forma enganadoramente simples. Allred remata, com o seu traço tão inspirado na pop art e que remete para os velhos tempos das eras dourada e prateada dos comics.

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