quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Modo Analógico

As TIC em 3D em modo analógico. Não teria dado por isto se uma das senhoras da secretaria não me dissesse olhe, acho que li qualquer coisa sobre si no jornal. E, realmente, lá estava, o texto alinhado para a página e jornal da escola, e que o Director do Agrupamento enviou aos meios de comunicação locais. Apareceu no jornal mafrense O Carrilhão. É bom, Tem o seu quê de promoção, mas mostra o que se tenta fazer para lá dos limites curriculares e imposições externas no domínio da educação. Tinha prometido a mim próprio não voltar a abordar a MakerFaire por aqui, que isto do recordar os sucessos que já passaram não é coisa saudável. Mas suspeito que ninguém levará a mal o deixar aqui esta pequena alegria. Made my day, como não resisti a dizer com esta mania da anglicidade intrusiva.


Mas a sentir-me um bocadinho azedo, hoje, com a notícia de mais um corte brutal previsto na educação, de acordo com a proposta do novo orçamento de estado. A pensar, mas ainda não lhes chega? Não chega o esmagar das escolas? As carreiras destruídas? A sobrecarga de alunos por turma? O clima de desilusão que se instalou na minha classe profissional? A pobreza que precariza o futuro de todos, mas principalmente do futuro destes alunos que tanto me surpreendem e motivam? E tantas, mas tantas outras injustiças, que outros sabem enumerar e criticar muito melhor do que eu, que fujo da realidade com estas virtualidades, pensando que o que se vai conseguindo progredir acontece apesar de e não por causa de. Não são os apoios, os governos e ministérios, as instituições que nos dão condições. Por cá vamos conseguindo evoluir apesar das pressões negativas daqueles que supostamente nos representam e deveriam trabalhar para o bem comum. E fazêmo-lo porque... não sei. Pelos com que me vou cruzando que também não desistem não posso falar. Eu sei porque o faço. É o meu espaço. A minha muralha. A minha forma de não ceder. A maneira como mostro à comunidade aquilo que, no fundo, sabem: que vale a pena investir num futuro melhor, e que o podemos fazer com liberdade, consciência e vontade de ir sempre mais além.

(Não, não lhes chega.)

3 comentários:

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Vejo que O Carrilhão também se submeteu ao «aborto pornortográfico». E, na sua sabujice entusiasta, os (ir)responsáveis do jornal passaram igualmente a «escrever» nomes de continentes com letra pequena...

artur coelho disse...

por acaso no que toca a este texto é mais my bad. quando é algo que apareça nas páginas da escola tem de ir de acordo com o acordo. o que me irrita. mas sou obrigado, como funcionário público. é a obrigação de dever a que aqueles que me tutelam não se sente e oops, bem visto a dos continentes. não me tinha apercebido. na escola costumo andar a saltar entre txts e browsers de segurança reforçada nos servidores e passam erros. o que me surpreende é que... ninguém corrigiu. aliás, nem tiraram os dois parágrafos que deixei a seguir ao texto no email que mandei ao director...

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

«Sou obrigado»?! Por quem? Por quê? O AO90 é ilegal, tanto interna como externamente.

Nenhum cidadão, seja ele funcionário público ou não, tem qualquer dever de se sujeitar a esta aberração. Como é irónico que, 40 anos depois do 25 de Abril, se esteja perante uma situação reminiscente de outra que se verificava antes.... a de que todo o «servidor do Estado» tinha de assinar uma declaração a jurar que não pertencia ao PCP.

Ontem como hoje, o(s) fascismo(s) não deve(m) ser respeitado(s).