segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Comics


Lazarus #12: Greg Rucka sublinha ainda mais a já de si pouco subtil crítica aos desmando das oligarquias numa edição centrada num baile, daqueles à antiga onde os aristocratas se embonecavam e fingiam uma civilidade elegante enquanto continavam os seus jogos de poder. Rucka sublinha a pomposidade de uma nova aristocracia financeira que dividiu entre si o mundo no futuro distópico hiperliberal onde os meritocratas se tornaram os novos donos do mundo.


Memetic #01: Ataques meméticos são um conceito intrigante mas pouco utilizado na ficção científica. Que me recorde apenas encontrei esta ideia explorada no conto Blit de David Langford (graffitis nocivos que provocam epilepsias e esgotamentos mentais infestam as ruas urbanas) e no episódio Invasive da série Global Frequency por Warren Ellis (uma mensagem alienígena decifrada por um computador ligado ao SETI@Home revela-se uma forma de vida víral memética que modifica os cérebros dos infectados). Memetic é o terceiro. É escrito pelo mesmo argumentista da série The Woods, esta também uma interessante variante sob o tema da aventura adolescente com toda uma escola misteriosamente transplantada para o meio de uma tenebrosa floresta alienígena. Jame Tynion não nos poupa e dá-nos esta simpática preguiça, cuja iconografia remete para os memes virais da internet, a espalhar-se como fogo em mato seco através das redes digitais. Nesta primeira edição não só nos dá uma boa história de meme transformado em arma como nos põe a reflectir sobre os frenéticos fluxos de informação digitais potenciados pela eterna busca de novidades jornalísticas. Grande primeira edição, esperemos que os próximos não desiludam.


The Multiversity: The Just #01: Grant Morrison volta a levar-nos a outro recanto estranho da DC Comics: um mundo paralelo onde os filhos dos super-heróis se contentam em levar uma vida de celebridades enquanto fazem reconstituições das grandes batalhas do passado. Com um planeta tornado seguro por uma legião de Super-homens andróides, legado do Super-Homem original antes de partir para o espaço, não há muito que os novos heróis possam fazer para manter o heroísmo dos pais. Mas o vírus multi-dimensional que se propaga através de bandas desenhadas também chega a esta Terra alternativa, e os heróis irão ter finalmente um problema de proporções épicas para resolver. Teria que pesquisar para saber em que arquivo poeirento da DC Morrison foi buscar este mundo de filhos de heróis, mas há que sorrir perante o toque de vaidade vácua que claramente brinca com a icongrafia das celebridades mediáticas que alimenta a cultura popular.


Starlight #06: Confesso que vou sentir falta desta série. Millar foi irónico e previsível, encerrando-a com um final simplista que, novamente, é uma vénia aos clássicos do género. O traço de Goran Parlov, a meio caminho entre Moebius e Flash Gordon, deu à série uma estética nostálgica de fábula de ficção científica. A série termina mas o ilustrador fica debaixo do radar.

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