segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Comics


The Devilers #04: Este comic escrito por Joshua Fialkov para a Dynamite não se distingue por fugir à banalidade. Tem uma premissa muito clássica, naquela vertente do sobrenatural e oculto em colisão com a igreja católica como instituição. Um grupo de pessoas com capacidades além do normal funcionam como grupo de intervenção ao serviço do papa num momento em que os infernos invadem a Terra. A diferença, em relação ao que é habitual nestas estruturas narrativas, é que apenas um dos membros do grupo é católico devoto. Os defensores da igreja incluem um muçulmano, um hindu, uma letal judia treinada pela mossad e até um ateu. Pormenor curioso. Um ateu a combater por algo que é para si uma impossibilidade. E a páginas tantas Fialkov vai um pouco mais longe e mete deus a aparecer aos heróis... uma divindade única, que se metamorfoseia de acordo com a crença de cada crente. Até a do ateu. Pormenor curioso, que dá algo extra a uma série banal mas divertida.


Trees #06: Ainda não se tornou clara a ligação entre os personagens dispersos por zonas geográficas distantes criados por Warren Ellis para Trees. O que têm em comum é estarem imersos em processos de auto-descoberta, sempre na sombra das indiferentes àrvores alienígenas. Ellis anda em busca de algo neste comic, às voltas com normalidades catastrofistas, instituições clássicas que se querem manter poderosas enquanto sofrem processos sociais e políticos de erosão acelerada, mundos atomizados onde a globalização do pensar local assume contornos estranhos. As árvores alienígenas são um catalizador para aquilo que é uma reflexão sobre os dilemas da contemporaneidade.


Wild's End #02: Animais antropomórficos encantadores contra tenebrosos monstros mecânicos vindos de Marte. Abnett mantém bem o equilíbrio entre o texto clássico da guerra dos mundos e a inocência das fábulas antropomórficas de inspiração vitoriana. Culbard consegue no seu estilo gráfico inconfundível misturar a iconografia de inspiração vitoriana destas fábulas com o classicismo tecnológico das visões sobre a obra de Wells. Este título da BOOM! Studios merece a leitura.


Judge Dredd Megazine #353: Termina de forma muito abrupta o interessante Ministry of Space. Não se percebe. Tanto trabalho a criar um mundo ficcional sólido, a urdir um enredo com ameaças alienígenas, funcionários públicos austerizados e astronautas do passado regressados de missões secretas ao espaço para... terminar de repente. Dá a sensação que os editores estão mais preocupados em lançar séries novas do que em aprofundar as existentes. Esta parecia um corpo estranho na Megazine, normalmente às voltas com o universo alargado de Judge Dredd. Pode ter terminado de forma abrupta, mas terminou a intrigar e a manter espaço em aberto para uma continuidade que merece ter.

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