segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Comics


Caliban #07: Um final morno para uma série desapontadora. O início prometia, com uma nave espacial carregada de colonos em sono criogénico a colidir no hiperespaço com uma nave alienígena. A colisão provocou uma fusão entre as duas naves e libertou uma criatura misteriosa que se apodera dos corpos dos tripulantes. E o resto lê-se como uma das infindas variações sobre o tema de caça e sobrevivência a criaturas letais nos misteriosos espaços confinados de uma nave espacial. A ilustração teve alguns momentos interessantes mas Garth Ennis desenvolveu uma história de ficção científica rotineira.


The October Faction #01: O regresso do horror classicista de Steve Niles com ilustrações num fabuloso estilo gráfico. A premissa parece batida, com as desventuras de um caçador de monstros sobrenaturais reformado que tem uma família altamente disfuncional. Mas Niles trabalha sempre muito bem este tipo de registos e a IDW não tem medo de investir em ilustradores que fogem aos realismos estilizados tão comuns na estética dos comics.


Chilling Adventures of Sabrina #01: Isto de ter uma CEO considerada demente pelos seus empregados dá bons frutos. A tradicionalérrima Archie Comics tem levantado sobrancelhas ao meter o seu estábulo de personagens all-american em situações pouco comuns ao conservadorismo deste sub-género dos comics. Temos Archie a defender o casamento homossexual (o que levou à fúria de alguns sectores da sociedade americana) e esta fantástica carta branca ao argumentista Roberto Aguirre para transformar os cartoons adolescentes em sagas de horror. Começou com Afterlife with Archie, que parte da banal infestação zombie para culminar num apocalipse lovecraftiano sublimemente ilustrado por Francesco Francavilla, e tem continuidade nestas aventuras em que Sabrina, a teenage witch, vai realmente fazer jus às bruxarias.

Aguirre assumiu que estas aventuras iriam passar-se nuns estilizados anos 60 e o tom gráfico aponta para um horror retro visualmente evocativo da iconografia dos filmes de série B. A série aproveita para reeditar algumas histórias clássicadas da personagem. No primeiro número faz-nos descobrir ou redescobrir a primeira aparação de Sabrina, e... bolas, que Dan deCarlo desenhou uma teenage witch deveras malévola... há uma decadência sensual neste olhar que está muito fora da iconografia da sorridente quadricromia deste género de comics.


War Stories #01: É bom ver Garth Ennis de regresso a um tipo de histórias que sabe contar muito bem, passadas na sua meticulosamente visão sobre a II Guerra Mundial. São histórias de guerra onde o heroísmo fica de fora e a precisão na reconstituição histórica é enorme. Não serão muitos os ilustradores capazes de acompanhar Ennis nestes voos, mas só por esta vinheta Matt Martin mostra que tem garra.


Dark Ages #03: O traço inconfundível de Culbard alia-se muito bem à solidez dos argumentos de ficção científica de Dan Abnett. Neste Dark Ages somos transportados à idade média, onde um grupo de mercenários embate contra o que parecem ser demónios dos infernos, capazes de derrotar exércitos com luzes que queimam e dar vida aos mortos. Num mosteiro onde se abrigam reside o verdadeiro seguredo: a Terra como um de muitos palcos de guerra interestelar, e um emissário azarado que se despenhou, dificultando a tarefa de avisar os indígenas do planeta da ameaça que aí vem. O equilibrio entre futurismo HardSF e antiguidade histórica é perfeito.

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