quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Bullet Points


J. Michael Straczynski, Tommy Edwards (2007). Bullet Points. Nova Iorque: Marvel.

E se... certo, assim começa a desenrolar-se aquilo que mais atrai na ficção especulativa. Neste e se Straczynski imagina uma bala. Imagina que essa bala, disparada por um agente nazi, mata ao mesmo tempo o Professor Erskine e um polícia militar chamado de Ben Parker. São personagens secundários mas centrais aos mitos da Marvel. Erskine é o inventor do soro que irá transformar Steve Rogers no icónico Capitão América e Ben Parker o tio de Peter Parker cuja morte o irá levar a assumir a responsabilidade de combater o crime como Homem Aranha.

Com esta inversão a premissa-base do universo Marvel pode ser desenrolada e reinventada. Straczynski não vai muito longe. Mistura um pouco a continuidade histórica da Marvel mas não se atreve a fazer grandes mudanças. E percebe-se. O público da editora pode apreciar volteios imaginativos mas arrepia-se perante a perspectiva de grandes mudanças ao que conhece e espera.

Resumindo, o jovem Steve Rogers não é transformado pelo soro do super-soldado mas é captado para um projecto militar que o transforma no Homem de Ferro. Peter Parker, rebelde inteligente que cresceu sem a figura paternal de Ben perde-se no deserto numa rambóia com os amigos e sobrevive ao teste de uma arma atómica de raios gama, mas ao acordar no hospital descobre que adquiriu a capacidade de se transformar num furibundo monstro verde. Já Bruce Banner, sentido-se responsável pelos males de Parker, é picado por uma aranha radioactiva e desfigurado num homem aracnídeo. Já Reed Richards consegue descolar com Sue, Johnny Storm e Ben Grimm em direcção às estrelas, mas um acto de sabotagem faz despenhar o foguetão. Único sobrevivente, Richards torna-se o líder da Shield, uma agência secreta anti-terrorista que recruta a fina-flor dos cientistas para desenvolver tecnologia de ponta. Entre os quais se encontra um cirurgião alcoólico que perante o cheque do governo não hesita em trocar o longínquo Tibete. Aqui Stephen Strange não se torna o maior místico do planeta. As linhas narrativas condensam-se quando a entidade conhecida como Galactus começa a devorar o planeta. Os heróis não o conseguem travar, nem um Tony Stark que se apossa da tecnologia do Homem de Ferro. Resta o sacrifício de Peter Parker como Hulk para comover o Surfista Prateado e convencê-lo a tomar o partido da humanidade. Num certo sentido, encerra em círculo.

Poderia ter ido mais longe, mas não deixa de ser uma série divertida. Estes e ses... desafiam-nos não só pela premissa como pela satisfação da curiosidade de ler como seriam narrativas alternativas das personagens que sempre conhecemos.

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