segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Comics


God is Dead: Book of Acts Alpha: O modelo de negócio da Avatar Press aposta na visceralidade contínua dos seus títulos, que explora até à exaustão. Jonathan Hickman criou esta série apocalíptica sobre a destruição provocada pelo regresso dos deuses, um filão de teísmo sangrento que agora está a ser explorado pela editora numa série de continuidade e edições especiais. São estas que ainda poderão ser interessantes de um ponto de vista conceptual, uma vez que a Avatar convidou alguns nomes sonantes do meio para escreverem histórias para este universo ficcional. Para arrancar temos Allan Moore a alinhar com Si Spurrier e Mike da Costa, este último o argumentista encarregue de dar continuidade à série. Spurrier safa-se bem com um desastrado e implacável querubim em busca de poder (o comentário sobre as primeiras tentativas da criatura no Youtube terem resultado em inúmeros convites de pedófilos é de ir às lágrimas com riso). Mas é Moore que se destaca, e que outro deus poderia ele trazer para o título senão a magia telúrica do seu ficcional Glycon? Uma excelente desculpa para reflectir sobre o poder das ideias, em essência aquilo que as divindades incorporam, dita sobre um palco por um misto de mago e charlatão que encanta e desencanta o público com palavras, enquanto manipula uma marionete que proclama ser divina.


Moon Knight #06: Termina nesta edição o período de Warren Ellis como argumentista, a insuflar novo ar nesta personagem de segunda linha. Ellis aproveitou para criar histórias auto-contidas cheias de acção e narrativa cinemática, sem perder tempo com recriações de origens ou enredos longos por detrás. Foram seis edições de concisa aventura explosiva. Para terminar, dá-nos uma espécie de história de origem do super-herói invertida, com um polícia frustrado e descontente a querer tornar-se um nemesis do personagem, acabando por nos dar mais vislumbres que a permitem compreender.


Lazarus #10: A distopia de sonho húmido neo-liberal feudalista criada por Greg Rucka começa finalmente a expandir-se no espaço ficcional. Depois de um longo arco narrativo que nos levou ao fundo da principal família, somos agora levados a outros territórios. A premissa, relembro, assenta na partição do mundo entre diversas famílias, donas dos maiores conglomerados económicos, com a humanidade dividida entre os novos aristocratas familiares, recursos humanos e desperdício, todas as massas humanas que habitam nos territórios controlados pelas famílias mas não pertencem aos quadros feudo-empresariais. Agora estamos em Nova Iorque, capital de uma família rival semi-submersa pelo aquecimento global.


The Woods #04: Este comic Young Adult da Boom! Studios tem passado despercebido mas tem mantido um nível constante de interesse. Toda uma escola materializa-se sem qualquer explicação num planeta alienígena. Rodeados por uma vasta floresta, os assustados alunos e professores tentam lidar com o impensável e depressa decaem num autoritarismo violento. Um grupo intrépido de jovens aventureiros arrisca-se a enfrentar os perigos da floresta, e quanto mais nela se embrenham maiores mistérios os aguardam, desde a violenta fauna alienígena a uma pirâmide maia com vestígios de outros terrestres raptados e que, aparentemente, funciona como ponto de acesso para outros mundos. Intrigante e com um mundo ficcional que sabe bem ir descobrindo.

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