segunda-feira, 19 de maio de 2014

Comics


Captain Marvel #03: Space opera discreta com muita elegância e bom humor. O estilo simples do ilustrador não é o que se espera do registo de aventuras no espaço, mas tem uma inegável elegância de traço que se nota em particular na forma como desenha a Capitã Marvel, que consegue ser sensual sem ser patéticamente sexualizada. É algo muito raro de ver no mundo dos comics. O que segura a série é o argumento de Kelly DeConnick, a meter a Capitã com os Guardiães da Galáxia e a aproveitar para andar a visitar muitas civilizações alienígenas. Um comic discreto, mas divertido.


The Royals Masters of War #04: O cenário da II guerra e o traço cuidado de ilustração é o que não deixa esta série de premissa patética resvalar para o absurdo. A equipe gráfica de Coleby e Erskine está muito à vontade com a iconografia da época, e quando não têm de se concentrar na narrativa do argumento as vinhetas explodem de acção recriada com rigor.


Hellboy in Hell #06: Há uma história neste comic. Hellboy vagueia pelos infernos e vai-se cruzando com mefistofélicas personagens e antigos inimigos. Enfim, há uma história, é divertida, e recupera um personagem icónico que está a ser intencionalmente mantido em banho-maria. O que torna este comic extraordinário é ser ilustrado por Mike Mignola, o que nos dias que correm é um privilégio. Hellboy não se tornou o que se tornou pelas suas histórias. O traço pessoal do seu criador é o outro elemento que valorizou e projectou este personagem no mundo dos comics. Mignola tem andado afastado da ilustração, concentrando-se no delinear dos argumentos de Hellboy e restantes séries que cresceram a partir daí. Note-se o delinear. Mignola estrutura e outros são encarregues de escrever os argumentos. Ler e ver puro Mignola tem sido uma raridade nos tempos recentes.


Starlight #03: Esperem lá, isto é ilustrado pelo Moebius? Parece, não parece? Se Millar faz um trabalho competente num argumento de homenagem irónica aos clássicos da ficção científica em BD, Goran Parlov tem deslumbrado com um traço que remete para as referências da BD de FC. Ao chegar a um planeta alienígena a referência óbvia é à Garagem Hermética de Moebius. Replica o estilismo, uso sóbrio de cor e o proprio traço. Não que Parlov não tenha uma voz visual própria, mas sabe usá-la para transmitir ao leitor um pouco da continuidade iconográfica de FC que tem marcado o género.

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