segunda-feira, 28 de abril de 2014

Comics


2000AD #1878: This won't end well, reflectiu Bruce Sterling perante um público tecnólogo espantado pelas revelações de Snowden sobre a extensão e ubiquidade da hipervigilância por agências secretas. Confesso que fiquei surpreendido em ver o habitualmente fascista Dredd a meter-se nestas águas turvas num arco narrativo que caricatura muito bem os problemas éticos da vigilância em segredo de cidadãos, as perseguições àqueles que se atrevem a contestar o estado das coisas e a revelar as maquinações de gabinete ao público, e a revolta quando o véu é destapado e se descobre que não se pode confiar no que parece confiável. Este MegaCity Confidential chega ao pormenor de ir buscar personagens decalcadas ao jornalista do Guardian e ao seu namorado, que felizmente, neste mundo real, apenas foi detido com confisco de todos os seus equipamentos electrónicos ao aterrar em Londres (leia-se este "apenas" com dose certa de ironia). Na mega cidade os juízes não são tão permissivos.


The Massive #22: Depois de uma série de arcos narrativos de interesse bocejante sobre o historial do líder da organização ambientalista armada que é o cerne de The Massive, voltamos à especulação pura informada sobre o futuro próximo num novo arco muito prometedor. Geoestratégia e controlo de recursos hídricos colidem num futuro em que a Arábia Saudita se tornou o maior detentor de reservas aquíferas do mundo. Um sedento Marrocos vai ser abastecido por uma coluna de camiões que terá de atravessar os desertos maghrebinos, protegidos por aguerridas mulheres-soldado. Promete, esta mistura de estética do desastre com terceiro-mundismo e especulação sobre um possível futuro próximo de conflitos sobre controle de recursos naturais.


Über #11: Kieron Gillen poderia ter seguido o caminho mais simples e mesmo assim manter o interesse. A ironia autofágica do seu comic que mistura guerra, super-heróis e nazismo vai-se aguentando bem nas aventuras dos übermenschen germânicos que, na décima primeira hora, quando os sinos já soavam pelo regime nazi, conseguiram salvar Hitler e inflingir pesadas derrotas aos russos e aliados ocidentais. Nesta edição explosiva Gillen muda o jogo. Sieglinde, uma das super-armas nazis, é enviada para decapitar a liderança britânica e elimina Churchill, enquanto outro dos super-seres extermina Hitler, senhor de que supostamente é vassalo, para se vingar dos horrores sofridos pelos alemães na frente leste. E nós ficamos com uma história alternativa da II guerra sem Hitler nem Churchill, com super-seres amorais à mistura e um grande ponto de interrogação sobre que caminhos a narrativa irá agora percorrer. Para ser rigoroso devo observar que a série francesa Le Gran Jeu também segue um percurso semelhante, com a Alemanha Nazi a sobreviver num pós-guerra após o assassínio de Hitler.


The Witcher #02: Diga-se que estou a admirar o humor seco mas divertido desta série. Eu sei que não é habitual em mim este deslumbre pelas fantasias com toque de oculto, mas é impossível resistir às brincadeiras com linguagem e sentidos que se estendem ao longo do intrigante argumento deste comic.

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