segunda-feira, 7 de abril de 2014

Comics


Judge Dredd Mega City 2 #02: Da IDW a publicar Dredd com sabor americano para o mercado americano não se espera muito. Talvez por isto a série me tenha apanhado de surpresa. No mundo pós-apocalipse nuclear de Dredd Mega City 2 é a mega-cidade que se estende no que resta da Califórnia após as bombas e os tsunamis. O argumentista projecta a visão contemporânea da califórnia como um estranho lugar libertário tisnado pelo sol no futuro distópico de Dredd e o ilustrador Ulisses Farinas... bem, um deslumbre! Linha clara com um estilo gráfico espantoso, fazendo lembrar Geoff Darrow, a dar vida a crustáceos mutantes e a uma cidade futurista que se parece com uma Disneyland desenhada por arquitectos pedrados em lsd.


Moon Knight #02: Sendo fã incondicional de Warren Ellis, a minha opinião é suspeita. Mas a sua revisão a Moon Knight está excepcional. Esta segunda edição lê-se como um filme curto de ritmo implacável, tão certo que nem se dá pelo virar das páginas. Ellis apostou num tipo cinematográfico de narrativa em banda desenhada (a minha comparação com o cinema não vem por acaso) com judiciosos cortes ritmados de planos e uso de tiras panorâmicas em plano de pormenor. É interessante ver a abordagem ao personagem como uma versão de Batman (que o é), deixando em segundo plano os toques místicos para se concentrar em histórias que se desenrolam no implacável espaço da modernidade urbana. Só Ellis terminaria uma edição com um dos vilões a triunfar e a reflectir que the bank always wins.


Starlight #02: É adorável esta visão de Millar e Parlov que recupera o classicismo ingénuo do Flash Gordon original. Tornou-se claro que este é um hino narrativo e iconográfico à golden age da ficção científica. Um mimo para quem tem um fraquinho por aventuras no espaço, foguetões, rayguns e alienígenas de olhos esbugalhados. A história segue um percurso clássico de herói envelhecido, incompreendido e amargurado com a vida trazido de volta às aventuras por um jovem que ainda acredita nele como a esperança de uma distante civilização alienígena. No processo, a vénia ao lado nostálgico de uma FC mais ingénua é profunda. Este Starlight devolve-nos o sense of wonder de Buck Rogers, Adam Strange ou Falsh Gordon.


Trillium #08: Jeff Lemire termina a sua série de FC para a Vertigo com uma nota triste e sem nos desvendar o mistério dos seus alienígenas azuis e as pirâmides que atravessam as barreiras do espaço e do tempo. Resta aos dois heróis, unidos após um périplo de volteios labirínticos pelos tempos e universos paralelos, sacrificar-se para salvar uma nave-arca com os últimos humanos na galáxia. Só lhes resta deixar-se ir até ao horizonte de acontecimentos de um buraco negro e... e. Ficamos por aqui, e não ficamos nada mal. Lemire conjurou o melhor da FC com toques de space opera e viagens no tempo com um fortíssimo experimentalismo gráfico pouco habitual nos comics. A série ficará como uma das melhores que a DC/Vertigo nos legou em ficção científica.


Caliban #01: No hiperespaço ninguém ouve os nossos gritos. Esta nova série de terror/FC escrita por Garth Ennis começa muito bem. Estamos num futuro industrializado onde no espaço se encontram as matérias primas para os fogos da indústria terrestre, mas os sonhos de colonizar planetas extraterrestres colidem com a realidade das rochas nuas desprovidas de atmosfera respirável. Os longos trajectos intergalácticos são assegurados por naves cujos tripulantes enlouquecem de tédio ou sob o efeito psicadélico da negação das leis da física no hiperespaço. Sendo Ennis a escrever, o mundo ficcional tinha de ser decadente. Nesta primeira explosiva edição, os tripulantes da nave Caliban descobrem o impossível quando colidem no hiperespaço com uma gigantesca nave alienígena... só que uma colisão destas leva a uma fusão no espaço real. A serie tem muito do ambiente de indústria pesada de Aliens, com os astronautas como operários das linhas de trânsito de minério do futuro. Quanto aos alienígenas, nada nos é revelado nesta primeira edição, apenas que existem... e as vias do hiperespaço são afinal mais congestionadas do que a física exótica previa.

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