terça-feira, 5 de novembro de 2013

Comics: Hell Lost; Jour j, Iron Man: Armor Wars.


James Turner (2013). Hell Lost.

É pena que o argumento deste webcomic pareça escrito por um adolescente semi-letrado. As personagens são liminares e o diálogo está ao nível de uma má canção de hip-hop. A história em si é confusa mas lida com guerras internas entre facções de demónios no inferno. Apesar desta falha, este Hell Lost é um comic muito aconselhável. Se a narrativa é um desastre o estilismo é qualquer coisa de absolutamente fabuloso. O estilo centra-se num austero preto e branco onde as formas assumem uma explosão barroca de iconografia feérica e fantástica. Turner vai buscar inspiração à cerâmica negra grega e à pintura de Bosch para criar um inferno povoado por criaturas espantosas, verdadeiros voos de uma imaginação sem limite que deixa nas pranchas minuciosamente detalhadas muito alimento para o olhar. Visualmente espantoso, narrativamente sofrível, Hell Lost é um webcomic que vale a pena descobrir.


Fred Duval, Jean-Pierre Pécau (2010). Jour J: Les Russes Sur La Lune!. Paris: Delcourt.

Intrigante ucronia que imagina como pequenas variações nos acontecimentos históricos poderiam modificar profundamente a história humana. Neste episódio, um micro-meteorito abate o módulo lunar da Apollo 11 e como consequência são os soviéticos os primeiros a aterra na Lua. Segue-se uma corrida espacial que culmina com a construção de bases lunares rivais nos anos 80. Mas as rivalidades políticas terrestres não se aplicam no ambiente hostil lunar, onde cientistas e astronautas aproveitam o isolamento para desenvolver formas de cooperação. Infelizmente, uma conjugação perigosa de acções acidentais e decisões políticas acaba por atomizar as bases lunares, não sem que antes se salve a primeira crianças nascida na lua filha de pai russo e mãe americana. Uma leitura rápida, desenhada num estilo profissional que replica bem a tecnologia aeroespacial dos anos 60/70 e não se safa nada mal com alguns dos projectos espaciais russos que no nosso tempo histórico real nunca saíram do papel. Há que destacar as aparições de personalidades reais inseridas na narrativa. A minha favorita é a de Kubrick num apartamento que trás à mente os cenários esparsos a preto e branco de 2001 a ver uma notícica sobre o filho das estrelas, primeiro humano nascido fora do planeta. Muito evocativo, não é?


Warren Ellis, Steve Kurth (2010). Ultimate Iron Man: Armor Wars. Nova Iorque: Marvel Comics.

Um registo muito morno para Warren Ellis. Nesta série do universo Ultimate um alcoólico e mulherengo Homem de Ferro luta contra versões da sua armadura, roubadas por hackers do submundo super-criminoso e adaptadas para fins imprevistos. Acompanhado por uma bela criminosa com poderes nanotecnológicos um Tony Stark em pré-falência saltita pela Europa no jacto particular, adiciona a companheira ao clube da milha e vai derrotando diferentes versões da sua armadura até ao inevitável confronto final com o seu avô, desejoso de fazer um upgrade aos seus sistemas mas que opta por formas pouco ortodoxas de pedir ajuda ao neto. Havia aqui muito pano para voos viscerais e hipermodernos à Ellis, particularmente num universo em que guerras entre heróis alteraram o clima global, Nova Iorque foi engolida por um tsunami artificial e a economia mundial se afundou. O confronto com doppelgangers distorcidos da armadura também poderia ter ido mais longe, mas o argumentista leva esta história num tom rotineiro.

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